Médico distribui protetores faciais para bebês em hospitais no Recife

Máscaras de pano podem ser prejudiciais a recém-nascidos. Neonatologista fez parceria com grupo de voluntários para produzir 'escudos' por meio de impressora 3D.

Protetor facial para recém-nascidosProtetor facial para recém-nascidos - Foto: LILLIAN SUWANRUMPHA / AFP

A pandemia do novo coronavírus tem reforçado para toda a população a necessidade de manter os cuidados que a gente sempre deve tomar para se proteger de microrganismos que causam infecções como a Covid-19. Entre as medidas de proteção mais comuns, estão lavar as mãos, higienizar objetos do dia a dia com álcool em gel e usar máscara ao sair de casa. Essa última recomendação levou mais tempo para entrar na rotina dos pernambucanos, mas nem por isso é menos importante. Ao cobrir nariz e boca, previne-se o contato das vias respiratórias com gotículas contaminadas, reduzindo a possibilidade de contágio.

A dica, porém, não vale para todos. Com a fragilidade de quem acaba de chegar ao mundo, bebês e crianças com menos de 2 anos não devem usar máscaras pelo risco de ficarem sufocados. Essa realidade inspirou o médico neonatologista José Henrique Moura a fornecer protetores ou escudos faciais, semelhantes aos usados pelos profissionais que atuam na linha de frente contra a pandemia, para recém-nascidos. Feito de acetato, o equipamento de proteção (EPI) instalado na parte de cima da cabeça cobre o rosto da testa à linha do queixo, evitando também a contaminação pelos olhos, outra porta de entrada para micróbios.

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O médico, que atende em dois hospitais - um da rede pública e outro particular - no Recife, diz que a proposta de adaptar o EPI ao público infantil veio da própria rotina de trabalho. “Estávamos fazendo para as mães e os adultos de modo geral, mas os bebês ficavam muito vulneráveis. Quando eu vi isso sendo feito, veio facilmente à cabeça a ideia de adaptar à realidade dos bebês”, conta. O escudo facial, assim como as máscaras de pano, não precisa ser usado dentro de casa. Portanto, só é utilizado em casos de emergência, se for necessário sair da quarentena.

Para distribuir o material aos pacientes, o neonatologista fez uma parceria com o grupo “Cuidar de quem Cuida da Gente”, coletivo criado em março que produz os protetores faciais. Inicialmente voltado para profissionais de saúde, o projeto passou a fabricar os escudos para crianças, oferecendo os produtos aos hospitais de forma gratuita. Os equipamentos são fabricados por meio de uma impressora 3D. Em duas semanas, foram produzidos 50. “A gente usa filamento para a parte de cima, das hastes, elástico e acetato, que é o protetor mesmo”, detalha a designer Renata Santiago, idealizadora do coletivo.

Para viabilizar a produção, o grupo iniciou uma vaquinha virtual para adquirir os materiais necessários à confecção dos protetores. Os produtos são oferecidos para distribuição em unidades de saúde, por isso não são aceitas encomendas individuais. A campanha de doações pode ser acessada pelo Instagram do projeto ou pelo link da vaquinha.

O protetor deve ser colocado com um gorro para evitar o atrito com a cabeça e, assim, dar mais conforto ao bebê. Preocupada com o avanço do coronavírus, a empresária e jornalista Rebeca Duque, 33, adquiriu logo o protetor para a filha de pouco mais de um mês de vida. Ela conta que a menina não teve problema para se adaptar. “Eu tenho só para o caso de a gente precisar se locomover. Não saí com ela ainda, a gente tem feito tudo de casa. Testei nela e vi que ela ficou tranquila”, afirma.

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