Médico que atuou no resgate de jovem mordida por tubarão em Boa Viagem grava vídeo com vítima no HR
Lúcida e comunicativa, ela autorizou a gravação do vídeo
O médico Mike Andrade, de Minas Gerais, que ajudou no resgate de Marcela Vitória de Lima Santos, vítima de incidente com um tubarão-tigre nessa segunda-feira (1º), em Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, gravou um vídeo com a jovem.
Ela está internada na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Hospital da Restauração (HR), no Derby, área central da capital.
Lúcida e comunicativa, ela autorizou a gravação do vídeo para tranquilizar todos que vêm acompanhando o caso: "Graças a Deus, estou seguindo minha vida e vai dar tudo certo", disse.
Relembre o caso
Marcela, de 19 anos, teve a perna direita amputada após a mordida do animal na praia de Boa Viagem, no começo da semana. O caso aconteceu apenas um dia após outro incidente ter sido registrado na praia de Piedade, na Região Metropolitana do Recife (RMR).
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Após o resgate de Marcela, Mike Andrade, que está de férias no Recife, contou que viu o rastro de sangue a movimentação das pessoas no local e logo correu para ajudar no salvamento.
“Eu não esperava socorrer uma pessoa. Vimos o rastro de sangue e outras pessoas correndo para retirar [a vítima]. Imediatamente eu corri porque sou médico e imaginei que ela ia precisar de alguma ajuda”, contou.
De acordo com o médico, quando a vítima foi retirada do mar, foi possível ver a perna direita praticamente amputada.
“Única coisa que fiz foi correr. Fiquei estancando e orientando as pessoas para ajudar até a chegada dos bombeiros”, detalhou.
De acordo com o boletim do HR, divulgado nesta quarta-feira (3), a vítima já respira sem o auxílio de aparelhos e segue com o estado de saúde estável.
De acordo com a secretária executiva do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), Danise Alves, o período de lua cheia interferiu diretamente no comportamento do animal.
“Nós tivemos no dia 31 de maio a Lua Cheia, que causa marés muito fortes. Muitas ondas e ventos deixam a água muito turva porque removem muitos sedimentos no movimento. Tudo isso faz com que o animal não consiga ‘atiçar’ o sentido da visão e acaba investigando a partir da mordida. A água turva faz com que o animal não reconheça sua presa natural”, explicou.
Incidentes em 2026
O caso de Marcela é o quarto incidente com tubarões em 2026 em Pernambuco. O primeiro aconteceu em 9 janeiro deste ano, quando uma turista foi mordida na perna pelo animal na praia da Anpesca, em Fernando de Noronha.
O segundo caso aconteceu vinte dias depois, na praia do Del Chifre, em Olinda, na Região Metropolitana do Recife (RMR). Um adolescente foi mordido por um tubarão-cabeça-chata enquanto mergulhava com colegas.
Ele chegou a ser socorrido para o Hospital Tricentenário, em Bairro Novo, também em Olinda, mas não resistiu aos ferimentos e faleceu após receber o atendimento médico.
O mais recente aconteceu no último domingo (31), na Praia de Piedade, quando uma criança foi mordida também por um tubarão-cabeça-chata. O local é uma área conhecida pelo histórico de ataques e apresenta o maior número de ocorrências envolvendo tubarões no estado.

