Meirelles é cobrado sobre aumento da gasolina

Meirelles reconheceu que a situação é séria e que a redução de tributos, como a Cide, é parte de uma solução para o quadro atual

Henrique Meirelles Henrique Meirelles  - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O presidenciável do MDB, Henrique Meirelles, foi cobrado nesta quarta-feira (23) pelo preço dos combustíveis e pela paralisação nacional dos caminhoneiros. Durante evento na capital federal, prefeitos e vereadores pediram uma explicação ao ex-ministro da Fazenda no final de palestra sobre suas propostas para o país.

Em entrevista à imprensa, Meirelles reconheceu que a situação é séria e que a redução de tributos, como a Cide, é parte de uma solução para o quadro atual. As manifestações espalhadas pelo país têm impactado a produção de veículos, a distribuição de combustíveis e alimentos e paralisado a operação de aeroportos.

"É discutida a questão dos impostos. Eu acho que, de fato, é uma coisa que tem de ser olhada e é uma parte muito importante da solução", disse. O presidenciável observou, contudo, que a Petrobras não pode ser penalizada por um aumento do preço do petróleo em todo mundo.

Leia também
Em busca de combustível, motoristas formam longas filas em postos
Ministro da Fazenda diz que possível medida sobre combustível ainda está em discussão
Petrobras vai reduzir preço do diesel nas refinarias por 15 dias
Petrobras anuncia redução nos preços da gasolina e diesel


"Tem de se preservar a Petrobras. Ela não pode pagar o preço de aumento do petróleo. A função dela é extrair e distribuir. Ela não tem a função de bancar custo de petróleo", disse. Perguntado, Meirelles não quis responder se, diante de um quadro de urgência, o presidente Michel Temer deveria zerar a Cide antes da aprovação de proposta de reoneração da folha de pagamento.

Para ele, a questão da elevação dos preços só poderá ser resolvida em longo prazo com a realização de uma reforma tributária. "Tudo isso tem de ser resolvido na questão da carga tributária. Temos de criar um sistema flexível e sem prejuízo do equilíbrio das contas públicas. Para que a carga tributária funcione como um amortecedor da questão dos preços dos combustíveis", disse.

Prometida no começo de 2017, contudo, a reforma tributária do MDB não saiu do papel e não há perspectiva de ser feita neste ano. No evento, Meirelles ainda rebateu o presidenciável do PSDB, Geraldo Alckmin, segundo o qual a proposta do teto de gastos instituída pelo emedebista "não é razoável".

Segundo o ex-ministro, a avaliação do tucano é um "equívoco muito grande" e o limite sobre os gastos públicos foi o primeiro passo para restaurar a confiança no país. "Se não fizesse o teto, nós teríamos despesas públicas subindo de maneira insustentável, juros altos, inflação elevada e recessão", disse.

Veja também

Câmara pode votar nesta terça-feira duas MPs sobre renegociação de dívidas
Congresso

Câmara pode votar nesta terça-feira duas MPs sobre renegociação de dívidas

São Paulo tem madrugada mais fria do ano
Suldeste

São Paulo tem madrugada mais fria do ano