Mensalão, 20 anos: cientista político diz que 'presidencialismo de coalizão colapsou'
José Álvaro diz que os escândalos são sintomas de um sistema em que o presidente enfrenta uma progressiva perda do controle do orçamento para o Congresso
O Mensalão foi um dos maiores escândalos da história política do Brasil, revelado em 2005, há exatos 20 anos. Era um esquema de pagamentos mensais a parlamentares para garantir apoio político ao governo Lula, envolvendo políticos do PT e de partidos aliados.
O caso veio a público quando o deputado federal e então presidente do PTB Roberto Jefferson foi acusado de chefiar um esquema de corrupção nos Correios e no Instituto de Resseguros do Brasil, em maio de 2005. Acuado, Jefferson atribuiu à cúpula do PT a negociação de cargos e o repasse de dinheiro, como uma mensalidade - daí o termo "mensalão" - a deputados da base aliada como forma de comprar apoio de parlamentares do Congresso Nacional.
Ele revelou que um dos operadores do esquema era o publicitário Marcos Valério, sócio das agências de publicidade DNA e SMP&B, que mantinham contratos com órgãos públicos.
Leia também
• Studio Ghibli completa 40 anos, mas futuro parece incerto
• Empresa de Trump pede para Justiça dos EUA responsabilizar Moraes por censura
• Mais de 60% dos eleitores rejeitam nova polarização Lula-Bolsonaro, diz Quaest
Outro operador seria Delúbio Soares, tesoureiro do PT. Segundo Jefferson, os dois agiam sob as ordens do nome mais importante do primeiro mandato do presidente Lula, o ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu. O julgamento pelo Supremo Tribunal Federal ocorreu em 2012, com a Procuradoria-Geral da República pedindo a condenação de 37 dos 40 réus.
Em entrevista à Rádio Eldorado, o professor José Álvaro Moisés, do Instituto de Estudos Avançados da USP, disse que o Mensalão e outros escândalos que vieram à tona depois são sintomas de um sistema de governo em que o Executivo precisa do apoio de partidos fragmentados e enfrenta uma progressiva perda do controle do orçamento para o Congresso. "O presidencialismo de coalizão colapsou", afirmou Moisés.

