Metrô do Recife aumenta para R$ 3 a partir de domingo

Tarifa sofrerá reajuste de R$ 0,40, o terceiro neste ano. Em novembro a passagem custará R$ 3,40 e, em março de 2020, passará a R$ 4

Estação Central do Metrô do RecifeEstação Central do Metrô do Recife - Foto: Jose Britto/Folha de Pernambuco

A partir do próximo domingo (8), as cerca de 400 mil pessoas que utilizam diariamente o metrô no Grande Recife deverão pagar a tarifa no valor de R$ 3. O reajuste, de R$ 0,40. é o terceiro desde que o Tribunal Regional Federal - 1ª Região (TRF1) autorizou um aumento, que foi escalonado. Até março de 2020, a previsão é de que a tarifa sofra outros três reajustes, fixando o valor do bilhete em R$ 4. De acordo com a Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU), a medida visa suprir um déficit de gastos com operação, folha de pagamento e indenizações da empresa.

No anúncio do reajuste, a Companhia informou que o custo de manutenção de todo o sistema metroviário no Estado para 2019 é de R$ 541,2 milhões, enquanto a arrecadação seria de até R$ 70 milhões. Com o aumento, a expectativa é de que a cobertura do sistema passe de 19% para 21%, o que representaria uma arrecadação de R$ 130 milhões. O último reajuste deste ano está previsto para o dia 3 de novembro (R$ 3,40), e outros dois para 2020 - 5 de janeiro (R$ 3,70) e 7 de março (R$ 4).

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Segundo o Sindicato dos Metroviários de Pernambuco (SindmetroPE), a correção não tem refletido em benefícios para a categoria e para a sociedade. “Falta uma política de mobilidade mais consistente do Governo Federal. Não existe outra forma de melhorar a mobilidade urbana, senão através do sistema metroviário, que é mais seguro, não engarrafa, não polui e transporta mais passageiros”, defende o presidente do SindmetroPE, Adalberto Afonso. “Não sabemos se é uma tentativa de privatizar ou não, mas a verdade é que há um esforço de sucateamento enorme.”

Na estação Recife, usuários reclamaram do reajuste que, afirmam, não é revertido em melhorias do serviço. A teleatendente Keluce Barbosa, 38, utiliza a linha Sul, de Jaboatão dos Guararapes, seis dias por semana e se disse frustrada com a forma de escalonamento adotada. “Acho exorbitante, o trabalhador não tem condições de arcar com esse aumento que o Metrorec levou tanto tempo para tentar administrar. Se eles tivessem escalonado isso de acordo com os anos, seria melhor para a gente se adequar”, afirma.

Para a auxiliar de restauro Kenia Mendonça, 52, o cenário econômico nacional dificulta ainda mais a adequação aos ajustes. “O salário continua o mesmo e as coisas ficam cada vez mais difíceis com uma tarifa inacessível. O metrô atende uma população menos favorecida e, no meu ponto de vista, é um absurdo o aumento. O desemprego está maior e a gente precisa do transporte, que já é péssimo”, relata, ao comentar a superlotação dos trens e a falta de climatização.

Em nota, a CBTU afirma que o reajuste não altera o orçamento aprovado para este ano, o que impossibilita qualquer investimento em melhorias do sistema metroviário. Ainda de acordo com a nota, mais de 75% do custo de operação do sistema são financiados pelo Governo Federal e, por isso, todo o valor arrecadado é depositado na conta da União. “No ano seguinte [2020] é que, tendo uma arrecadação maior devido ao aumento da tarifa, o Metrô poderá pleitear novos recursos e um orçamento maior, que possa subsidiar melhorias para o sistema”, afirma a nota.

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