Metrô tem passagem mais cara a partir desta sexta-feira

Usuário do Metrô começa a sentir no bolso o reajuste de 87,5%. Grupos prometem protestos na Estação Central do Recife

O bilhete unitário passará de R$ 1,60 para R$ 3. População que utiliza o modal reclama de não haver um serviço que justifique o reajusteO bilhete unitário passará de R$ 1,60 para R$ 3. População que utiliza o modal reclama de não haver um serviço que justifique o reajuste - Foto: Anderson Stevens

O usuário do Metrô da Região Metropolitana do Recife passa a sentir no bolso a partir desta sexta-feira (11) o reajuste de 87,5%, promovido pela Companhia Brasileira de Trens Urbanos (CBTU). O bilhete unitário passará de R$ 1,60 para R$ 3. O ministro dos Transportes, Esteves Colnago, disse ao deputado federal Betinho Gomes, durante encontro em Brasília, que o aumento poderia ser ao longo de três ou quatro anos, e que dependeria da CBTU. O deputado teve audiência no Ministério do Planejamento que garantiu R$ 120 milhões para o Metrô do Recife, sendo R$ 28 milhões de imediato e R$ 93 milhões até o fim do ano. Embora o recurso tenha sido angariado, o reajuste está mantido, segundo a CBTU.

Além da passagem mais salgada, os usuários encontrarão manifestações que repudiarão a mudança. Os atos estão marcados para a manhã de hoje, na Estação Central. Mesmo com a companhia justificando o aumento na tarifa com o déficit de verba para sustentar a operacionalidade do sistema, a maioria dos usuários está insatisfeita. Para o pesquisador de cursos e usuário assíduo do sistema Diego Anjos, o reajuste não condiz com a o serviço oferecido atualmente, lembrando que uma ferramenta que foi muito comemorada deixou de existir no Metrô: o Vagão Rosa. “Para se aumentar alguma coisa, é preciso oferecer um serviço de qualidade para quem precisar utilizar o metrô diariamente. Para mim, esse reajuste é muito abusivo. Acho que deveria ser abaixo e não acima”, avaliou Diego.

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De acordo com a maioria dos populares que usa o sistema de trens diariamente, a segurança no local não é suficiente para evitar transtornos e confusões nas estações da Região Metropolitana do Recife. “A segurança dentro do metrô não existe. Fora que às vezes nem o próprio usuário respeita. Nesta semana, em Jaboatão Velho, vi uma briga bem séria de duas mulheres dentro do vagão do Metrô. Uma delas estava passando muito mal e o pessoal ficou bastante preocupado”, relatou Elaine Maria, que está atualmente desempregada e sofre com o reajuste no valor das passagens. Em repúdio ao aumento, protestos estão marcados esta sexta.

A Frente de Luta pelo Transporte Público de Pernambuco (FLTP) e o Sindicato dos Trabalhadores de Transportes Metroviários e Conexos de Pernambuco (Sindimetro-PE) programam ato com concentração às 9h, na Estação Central do Metrô do Recife. A manifestação visa denunciar o desmonte do sistema de transporte ferroviário no Brasil, em especial a redução, proposta pelo Governo Federal e aprovado pelo Congresso, em quase 50% do orçamento destinado à manutenção dos serviços do metrô. Além disso, a FLTP planeja entrar com ação judicial na Justiça Federal na esperança de tentar barrar o aumento.

A categoria alega que a CBTU sequer apresentou as planilhas de custo e os documentos necessários para a composição tarifária. Quanto a um possível esquema de segurança para o primeiro dia da passagem mais cara, a CBTU explicou que foi enviado um comunicado à Secretaria de Defesa Social dando ciência do aumento de hoje, mas, até o fechamento desta edição, o órgão não havia respondido.


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