Minicurso da UFPE readequará vozes de homens transgêneros

Por meio de exercícios individualizados e que deverão ser repetidos em casa, os pacientes farão com que suas vozes se tornem condizentes às suas imagens

Campus Recife da Universidade Federal de PernambucoCampus Recife da Universidade Federal de Pernambuco - Foto: Arquivo

Empoderar ao dar a possibilidade de falar com as pessoas em situações simples sem temer ser confundido com o outro gênero. Esse é o principal interesse do minicurso de readequação vocal para homens transgêneros (pessoa trans que foi designada mulher ao nascer, mas que se identifica como homem), a ser promovido pelo Departamento de Fonoaudiologia da UFPE, no Campus Recife, entre os meses de agosto e setembro.

Por meio de exercícios individualizados e que deverão ser repetidos em casa, os pacientes farão com que suas vozes se tornem condizentes às suas imagens. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas até o próximo dia 28 por meio do e-mail [email protected] ou pelo telefone (81) 2126.7518.

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A professora Ana Nery Araújo, à frente da coordenação do curso, explica que, para a maioria dos pacientes que são atendidos, o trabalho com os fonoaudiólogos é uma ajuda contra a timidez e, também, de satisfação pessoal. Um anseio de homens transgêneros que, para a docente, serviu de inspiração para a iniciativa.

"A modificação da voz ocorre com o tratamento hormonal, mas não é suficiente para o ajuste da voz considerado satisfatório para eles. Essa é uma queixa recorrente dos homens transgêneros. Por meio dessa oficina, ensinaremos uma série de treinamentos adequados para que (a voz) fique dentro da faixa mais próxima da voz masculina", detalha.

Em Pernambuco, o TRANS Identidade do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam) e o Espaço Trans do Hospital das Clínicas são serviços de referência no atendimento à população trans. Porém, ressalta Ana Nery, mais do que empoderá-los, o workshop também tem a intenção de ensinar os homens trans a readequarem a sua voz sem afetar a saúde da laringe, órgão responsável por adequar a altura e o tom vocal.

"Esse treino deve ser feito com acompanhamento profissional. Muitos sentem dor ou rouquidão por esforçarem muito a laringe. A hormonoterapia deve ser aliada à fonoaudiologia. Estamos aqui para ajudar nesse processo", diz a professora. Segundo ela, não há critério algum para se inscrever.

A escolha da turma que participará do minicurso, que deverá se limitar a 15 pessoas, será após entrevista individual. "É nesse primeiro contato que conheceremos cada um, saber se fazer tratamento hormonal ou se estão inseridos em algum programa de assistência para homens trans. É por isso que as inscrições estão sendo feitas dois meses antes da capacitação", justifica.

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