Ministério Público da Bolívia pede prisão de Evo por terrorismo

Ex-presidente é acusado de estimular apoiadores a bloquearem ruas em protestos

Evo Morales, ex-presidente da BolíviaEvo Morales, ex-presidente da Bolívia - Foto: Pedro Pardo/AFP

O Ministério Público da Bolívia pediu, nesta segunda-feira (6), a detenção e a extradição do ex-presidente Evo Morales, por uma acusação de terrorismo. Evo, que renunciou há oito meses, vive com o status de refugiado em Buenos Aires, na Argentina. A acusação foi emitida por uma comissão de promotores anti-corrupção, por conta do chamado "caso áudio", que investiga uma gravação telefônica em que o ex-presidente convoca apoiadores na Bolívia a bloquear ruas e estradas durante as tensões que ocorreram depois de sua saída do país por pressão do Exército. Esses áudios revelam conversas de Evo Morales com o ativista e dirigente cocaleiro Faustino Yucra. 

"De acordo com as investigações, é evidente que o chefe de Estado e Yucra mantiveram comunicação mediante chamadas telefônicas no dia 14 de novembro de 2019, desde a Cidade do México [onde Evo esteve, antes de ir para a Argentina] até El Torno, na Bolívia, onde estava Yucra", diz o comunicado do Ministério Público. "Nessa conversa, Morales instruiu o dirigente cocaleiro a cometer atos ilícitos durante os episódios violentos registrados no país a partir do dia 10 de novembro.”

Na gravação, a voz identificada como sendo a de Evo diz: "Irmão, que não entre comida nas cidades, vamos bloquear, armar um cerco de verdade”. Em entrevista recente à Folha de S.Paulo, o candidato à Presidência Carlos Mesa confirmou que há evidências de que Evo esteve por trás dos levantamentos populares contra a posse da interina Jeanine Añez, inclusive causando bloqueios em sistemas de abastecimento de comida e de coleta de lixo.

Como refugiado político na Argentina, o ex-presidente também enfrenta outras acusações na Bolívia, e já há uma ordem da Interpol para detê-lo. Evo Morales comentou a decisão nas redes sociais: "De maneira ilegal e inconstitucional, a Procuradoria, em La Paz, pretende acusar-me de terrorismo com um áudio alterado e sem ser notificado, uma prova mais de que há uma perseguição política desde o governo ditatorial. Logo voltará a democracia e o Estado de Direito na Bolívia”.

Na Argentina, A lei de refugiado político protege o ex-mandatário no caso da extradição por razões políticas. Porém, há uma brecha no caso de a acusação ser por "terrorismo”. Até às 20h desta segunda, o governo de Alberto Fernández ainda não havia se manifestado sobre a decisão do Ministério Público boliviano.

Veja também

Embaixadora do Líbano na Jordânia renuncia após explosão em Beirute
Beirute

Embaixadora do Líbano na Jordânia renuncia após explosão em Beirute

Embrapii e BNDES vão financiar projetos com foco no combate à Covid-19
Financiamento

Embrapii e BNDES vão financiar projetos com foco no combate à Covid-19