Ministro general Ramos pede que imprensa dê notícias positivas e menos caixões e mortos

'No jornal da manhã é caixão, é corpo. Na hora do almoço, é corpo e número de mortos', disse o ministro

Ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, Luiz Eduardo Ramos ouviu demandas de prefeitos e parlamentares pernambucanos.Ministro da Secretaria de Governo da Presidência da República, Luiz Eduardo Ramos ouviu demandas de prefeitos e parlamentares pernambucanos. - Foto: Divulgação

O ministro Luiz Eduardo Ramos, da Secretaria de Governo, criticou nesta quarta-feira (22) o que chamou de "cobertura maciça de fatos negativos" da imprensa na crise do novo coronavírus.

"No jornal da manhã é caixão, é corpo. Na hora do almoço, é corpo e número de mortos. Eu pergunto a todos: como é que você acha que uma pessoa de idade se sente com essa maciça divulgação desses fatos negativos. Ninguém aqui está dizendo que tem que esconder", disse Ramos, durante entrevista coletiva no Palácio do Planalto.

"Nós respeitamos muito a liberdade de imprensa e ela é fundamental para o processo democrático de qualquer país. Porém, temos observado uma cobertura maciça de fatos negativos", complementou.

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Ramos, que no comando do seu ministério também é responsável pela Secom (Secretaria Especial de Comunicação Social), cobrou ainda que os veículos de comunicação divulguem outros dados, como o número de curados e o trabalho dos profissionais de saúde.

"Eu não tenho visto muito isso na imprensa. Eu acho que a mídia brasileira tem um papel fundamental na percepção do povo, das pessoas se sentirem melhor", afirmou, destacando que a doença também tem um lado emotivo que afeta a população.

O Brasil tem 45.757 casos confirmados da Covid-19, e 2.906 mortes, segundo dados divulgados pelo Ministério da Saúde nesta quarta-feira. Foram 165 novos óbitos nas últimas 24 horas.

Não é a primeira vez que um ministro do governo Jair Bolsonaro critica a imprensa pela cobertura da pandemia do novo coronavírus.

Em março, o então ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, afirmou que "às vezes os meios de comunicação são sórdidos".

"Desliguem um pouco a televisão. Às vezes ela é tóxica demais. Há quantidade de informações e, às vezes, os meios de comunicação são sórdidos porque ele só vendem se a matéria for ruim. Publicam o óbito, nunca vai ter que as pessoas estão sorrindo na rua. Senão, ninguém compra o jornal", disse.

Dois dias depois, Mandetta pediu desculpas. "Aqui eu falei dos meios de comunicação outro dia, ficaram bravos comigo, puxaram minha orelha lá na Globo, porque eu fiz um comentário sobre a cobertura, e eu peço desculpas. Eu acho que a gente quando erra, a gente erra."

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