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Mohamed Amra: Quem é "A Mosca", o francês que escapou da prisão após ataque na França

Interpol foi acionada para prender traficante fugitivo; na França, mais de 450 agentes foram mobilizados para operação "sem precedentes"

Mohamed Amra, de 30 anos, já acumulava 13 condenações na Justiça da França por roubo, organização criminosa e sequestro seguido de morteMohamed Amra, de 30 anos, já acumulava 13 condenações na Justiça da França por roubo, organização criminosa e sequestro seguido de morte - Foto: Divulgação

Um dia após um grupo de homens armados terem matado dois agentes policiais e ferido outros três no noroeste da França, ação coordenada que terminou com a fuga de um detento, forças de segurança buscam o prisioneiro conhecido como “A Mosca”. Segundo o ministro do Interior, Gérald Darmanin, a operação é “sem precedentes”, e mais de 450 agentes foram mobilizados. À rádio RTL, ele disse que, graças a um grande número de pistas, o fugitivo e a “gangue de assassinos que o acompanha” podem ser presos nos próximos dias.

Mohamed Amra, de 30 anos, já era figura conhecida na Justiça francesa: ao todo, ele acumula 13 condenações. A última delas foi em 7 de maio, quando o tribunal de Évreux o sentenciou a 18 meses por “roubo com arrombamento”.

A procuradora de Paris, Laure Beccuau, disse que Amra estava em prisão preventiva por outros casos, incluindo cumplicidade em assassinato, organização criminosa e sequestro. Nesta terça, o detento voltava para a prisão de Évreux após comparecer ao tribunal de Rouen — uma viagem de cerca de 60 quilômetros — quando o veículo em que ele estava foi atacado. Amra fugiu, e seus cúmplices também escaparam.

Segundo o canal de televisão francês BFM TV, o fugitivo é suspeito de ser chefe do narcotráfico — acusação que o advogado dele, Hugues Vivier, contesta. Segundo a defesa, não havia nada que alertasse as autoridades sobre seu cliente ter um perfil “particularmente perigoso”. A maior parte de suas condenações está relacionada a casos de furtos com agravantes, e ele esteve preso em várias penitenciárias desde janeiro de 2022. Uma fonte próxima ao caso afirmou que Amra é suspeito de ter ordenado assassinatos relacionados ao tráfico de drogas, e estaria envolvido na tentativa de assassinato de um francês na Espanha em 2023.

"É bastante incompreensível. É difícil para mim imaginar que esse rapaz possa estar envolvido [no ataque]" disse Vivier à BFM TV.

Durante sua curta detenção em Évreux, para onde foi transferido em abril, as barras de sua cela teriam começado a ser serradas, segundo a procuradora. Emmanuel Baudin, líder sindical dos guardas prisionais, disse à BFM TV que o detento teria tentado escapar dois ou três dias antes do ataque, mas colegas o transferiram para uma unidade disciplinar. Ainda assim, de acordo com Beccuau, Amra havia sido colocado no nível de segurança três, o que significa que ele não era um prisioneiro de alto risco. Por isso, apenas cinco agentes estavam envolvidos em sua escolta do tribunal de volta para a prisão.

Também nesta quarta-feira, funcionários das penitenciárias francesas convocaram bloqueios em sinal de protesto. Um sindicalista disse à AFP que a prisão amanheceu “morta” para mostrar apoio aos colegas vítimas da violência. A ação mobilizada pelos agentes suspende as atividades dos detentos, exceto por passeios e refeições. Segundo o ministro da Justiça francês, Eric Dupont-Moretti, esta é a primeira vez desde 1992 que um funcionário penitenciário da França morreu enquanto trabalhava.

"Impotência pública"
O presidente Emmanuel Macron disse ter ficado “chocado” com o ataque, pontuando que as autoridades serão “inflexíveis” na busca pelos responsáveis. O caso, no entanto, aumentou a pressão sobre o governo, que é acusado pela direita e extrema direita de “falta de firmeza” — especialmente quando os criminosos são estrangeiros ou de origem imigrante. Em plena campanha para as eleições do Parlamento Europeu em 9 de junho, a candidata de extrema-direita Marion Maréchal e seu rival de direita François-Xavier Bellamy visitaram diferentes prisões nesta quarta-feira para denunciar a “impotência pública”.

Os sindicatos prisionais, que convocaram um minuto de silêncio, pedem ao ministro da Justiça que videoconferências sejam mais utilizadas para reduzir as transferências entre prisões e tribunais, além de uma revisão dos sistemas de escolta. Ainda nesta quarta-feira, a Interpol emitiu um alerta vermelho a pedido da França. Na prática, a medida é um pedido às autoridades policiais em todo o mundo para localizar e prender um indivíduo procurado. 

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