Monitor de Secas indica estiagem menos intensa em Pernambuco

Dados indicam que áreas antes em situação de seca extrema tiveram período de chuva mais regular. Previsão é que cenário se mantenha nos próximos meses.

Seca em PernambucoSeca em Pernambuco - Foto: Alfeu Tavares/Folha de Pernambuco

O atual ciclo da seca que atinge o Nordeste e o interior de Pernambuco desde 2012 está menos intenso. De acordo com o novo Mapa do Monitor de Secas, publicado esta semana, áreas do Agreste e do Sertão que se encontravam em situação de seca extrema ou excepcional tiveram este ano um período de chuvas mais regular e agora apresentam uma estiagem de moderada a grave.

A previsão é que o cenário se mantenha nos próximos meses. Apesar disso, continua em vigor o decreto de situação de emergência para 115 municípios das duas regiões.

Segundo boletim climático da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), em julho, choveu no Sertão pouco menos de 50 milímetros, quase o dobro do esperado para o mês. No período chuvoso da região, de janeiro a abril, o nível de precipitação registrada também foi mais alto que a média histórica, o que possibilitou a redução na intensidade da seca.

Só no Sertão do Pajeú, desde o início do ano até o mês passado, o acumulado foi de 697,7 milímetros, 84,5 a mais do que o esperado. Já no Agreste, também foi registrado um aumento no nível de chuva em julho, chegando perto dos 150 milímetros.

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Atualmente, uma pequena porção do sudoeste do estado, na parte onde fica Petrolina, ainda é a área mais afetada, a única em situação de seca extrema. Mesmo assim, o clima no local está mais ameno, já que a área deixou de ser classificada como de seca excepcional, o grau máximo de estiagem.

De acordo com a meteorologista da Apac, Edvânia Santos, para medir o nível de seca de um lugar, são considerados diversos fatores. “A chuva é um dos indicadores, mas utilizamos também índices de seca e vegetação que colocamos no mapa e vemos se os impactos da seca aumentam ou diminuem em longo ou curto prazo”, detalha.

A intensidade e a duração da estiagem também dependem do período chuvoso. “Se o período de chuva for ruim, não enche reservatório, não tem lavoura e afeta a agricultura e a alimentação de animais. Então, quando chega o período de estiagem normal da região, isso tende a se agravar”, explica a meteorologista.

No segundo semestre, com menos chuvas, a tendência é manter o regime de seca mais moderada. “A partir daí, a gente vai verificar se a seca se agrava ou não”, diz Edvânia Santos.

Emergência
Os dados aparecem um mês após o governo do estado ampliar de 62 para 63 o número de municípios do Agreste em situação de emergência por causa da estiagem. No Sertão, segundo a Coordenadoria de Defesa Civil (Codecipe), são 52 cidades, contempladas por decreto que vence em setembro. O subcoordenador do órgão, major George Vitoriano, diz que, apesar da redução na intensidade da seca, a medida segue em vigor.

“Estamos fazendo um levantamento nos municípios. Com base nisso é que verificamos se há caracterização da situação de emergência ou não. Com essa diminuição da seca, é possível que haja mudanças no próximo decreto, mas vamos ver outros fatores”, afirma. Dessa forma, para revogar a medida, é preciso ter um período mais prolongado de normalidade. “Deve ser o suficiente para que a região possa se restabelecer”, explica o major Vitoriano.

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