Monitoramento de tubarões no litoral da RMR é retomado nesta sexta (4) após 11 anos paralisado
Porjeto terá duração de 24 meses e pretende realizar a microchipagem de até 50 tubarões no período
Foi retomado nesta sexta-feira (4) o monitoramento de tubarões no litoral da Região Metropolitana do Recife ( RMR) após 11 anos de atividades paralisadas. A informação foi confirmada pela Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha (Semas).
O projeto, coordenado pela Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), por meio do Projeto Ecotuba, terá duração de 24 meses e pretende realizar a microchipagem de até 50 tubarões no período.
"O que realizamos hoje foi uma saída piloto, a função dela é testarmos o equipamento, a embarcação e a metodologia do projeto. A partir dela, podemos corrigir alguns ajustes para as próximas expedições", explicou a secretária executiva do Comitê Estadual de Monitoramento de Incidentes com Tubarões (Cemit), Danise Alves.
A equipe de embarque conta com seis pesquisadores e atua em uma estratégia de monitoramento científico voltada à geração de dados de distribuição, padrões de ocorrência e comportamento dos animais.
Serão preferencialmente estudadas as espécies tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) e tubarão-cabeça-chata (Carcharhinus leucas), relacionadas aos incidentes na região.
No dia 1º de junho, um incidente com tubarão-tigre aconteceu na praia de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. A vítima, Marcela Vitória de Lima Santos, 19 anos, teve a perna direita amputada.
O caso aconteceu um dia após outro incidente ter sido registrado na praia de Piedade, em Jaboatão dos Guararapes, na RMR. João Lucas Castor Nemézio Sales, de 11 anos, foi mordido por um tubarão-cabeça-chata e teve a perna esquerda amputada.
O projeto atuará, ainda, com ações de educação ambiental para subsidiar a conservação marinha e a prevenção de incidentes.
Investimento é de R$ 2.052 milhões no projeto de monitoramento | Foto: Ed Machado/Governo de PernambucoSegundo a Semas, o investimento é de R$ 2.052 milhões, sendo R$ 1.052 milhão oriundos da Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação de Pernambuco (Secti) e R$ 1 milhão aportados pelo Fundo Estadual de Meio Ambiente (Fema).
Quatro expedições devem ser feitas até terça-feira (8), com média de 8 horas de duração, cada. Nelas, os tubarões serão capturados com a técnica de pesca com espinhel, em que é usada linha de pesca com anzóis presos a cabos resistentes às mordidas de grandes predadores, atraídos por iscas de peixes.
A Semas destaca que, a bordo da embarcação, os animais serão submetidos a procedimentos realizados de acordo com as normas do Comitê de Ética no Uso de Animais (Ceua).
"Para reduzir o estresse durante o manejo, os indivíduos terão os olhos cobertos com um tecido escuro. Em seguida, o anzol será retirado para o início dos procedimentos, que contempla medição do comprimento corpóreo, identificação do sexo, ultrassonografia em fêmeas para avaliação do estágio reprodutivo, e coleta de amostras de tecido e sangue, para análises genéticas e de biomonitoramento", destacou a Semas.
Os tubarões receberão uma marca externa - tag ou etiqueta de marcação individual - com as informações de contato do projeto, que será fixada na base da primeira nadadeira dorsal, além de um transmissor interno, conhecido como microchip, implantado por meio de procedimento cirúrgico na região ventral.
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Na ocasião, também serão coletadas informações como temperatura da superfície do mar, direção dos ventos e das correntes, salinidade e turbidez da água.
"A retomada desse monitoramento tem a finalidade de entender mais acerca da ecologia e biologia desses animais e, a partir desses resultados, nós termos subsídios para minimizar essa questão envolvendo incidentes entre tubarões e seres humanos", explicou o professor e pesquisador do projeto Ecotuba, Paulo Oliveira.
Além do litoral da RMR, o monitoramento de tubarões ocorre de modo contínuo no arquipélago de Fernando de Noronha em projeto também coordenado pela UFRPE, com o apoio do Governo de Pernambuco, por meio da Administração da Ilha, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Econoronha.

