Moradores da Muribeca exigem definição sobre residencial

Movimentos sociais lutam pela reconstrução dos edifícios

Com a desocupação dos apartamentos, Muribeca virou quase um bairro fantasmaCom a desocupação dos apartamentos, Muribeca virou quase um bairro fantasma - Foto: Brenda Alcântara

O que você faria se a maioria de seus vizinhos fosse obrigada a deixar o bairro e o local ficasse praticamente desolado sem uma definição sobre o futuro? Essa é a situação dos moradores e ex-moradores do Conjunto Residencial Muribeca, no município de Jaboatão dos Guararapes, Região Metropolitana do Recife, que se transformou praticamente numa cidade fantasma. Enquanto movimentos sociais lutam pela reconstrução dos edifícios que deram origem à localidade, a Caixa Econômica Federal (CEF) defende a demolição dos prédios e indenização dos imóveis. Nesta terça-feira (11), representantes desses movimentos voltam às ruas para realizar um protesto em local e horário não divulgados por medo de represália.

Inaugurado há 35 anos, o Muribeca contemplou 2.240 famílias alocadas em 70 blocos do tipo caixão, com quatro pavimentos e 32 apartamentos em cada um dos edifícios. Como era de praxe nesse tipo de habitacional popular, a demanda por infraestrutura e serviços provocou o surgimento espontâneo - e desordenado - de comércio e serviços públicos, além de ampliações irregulares das próprias unidades.

Em 1987, um dos prédios apresentou problemas estruturais, sendo demolido oito anos depois. Em 2005, os mesmos problemas foram identificados em outros 11 blocos e, em 2014, foi recomendada a desocupação total do conjunto. Apenas algumas famílias não realizaram o cadastro que dá direito a um auxílio de R$ 907 mensais enquanto o caso aguarda uma solução definitiva e ainda moram no local. Ainda hoje há no bairro uma placa da CEF que anunciava a reconstrução do habitacional, medida que nunca se concretizou.

Para evitar invasões, foi contratado serviço de vigilância armada particular. Pode-se dizer que atualmente o Muribeca é o lugar mais seguro do Estado - que sofre com problemas graves de violência -, com equipes de segurança a cada quarteirão. O projeto também prevê a construção de um novo habitacional, batizado de Batalha dos Guararapes, que seria destinado aos moradores e comerciantes de construções localizadas de 0 a 6 metros do perímetro dos prédios a serem demolidos. Mas a situação segue indefinida frente ao impasse gerado pela dúvida se os edifícios serão reconstruídos ou não.

“A Caixa foi condenada a reformar, reconstruir ou indenizar. A maioria da comunidade quer que seja reconstruído”, afirma Marcelo Trindade, representante do movimento Somos Todos Muribeca. “Hoje não se trata mais (só) dos prédios. Se trata de uma comunidade, que tem comércio, escola - de tempo integral e de referência -, posto de saúde, transporte. A comunidade sobrevive por causa das casas do entorno.”

Trindade também rebate argumentos da CEF para não reconstruir o habitacional. “A Caixa alega que é uma área alagada. É brincadeira. A gente mora aqui há mais de 30 anos e toda a área que circunda o Muribeca alaga, menos o conjunto. Quando as outras comunidades alagam, as pessoas vêm se abrigar aqui”, lembra. “A CEF também entrou com um laudo dizendo que o solo não presta. É mais outra falácia.

Estudos do Itep comprovam que o problema dos prédios foi vício de construção.”
Presidente da Associação dos Moradores da Muribeca, Carmen Lúcia de Araújo é uma das pessoas que ainda moram no conjunto. Integrante do movimento Daqui Não Saio Daqui Ninguém Me Tira, ela vive com o marido, a filha e a neta no único apartamento ocupado em um dos blocos e diz que se sente enganada. “A Caixa quer simplesmen­te indenizar, porque é um meio de­la se livrar de Muribeca”, acredita.

Por nota, a CEF respondeu que “já prestou todos os esclarecimentos à Justiça e aguarda a decisão judicial sobre o assunto”. Na mesma nota, a Caixa esclarece que “não operou como construtora desse empreendimento” e que “a responsabilidade por eventuais vícios construtivos é das construtoras e dos responsáveis técnicos”.

“O empreendimento”, lembra a CEF, “foi construído pela Cohab/PE no terreno adquirido pelo governo estadual a partir de 1980”. “A sucessora da extinta Cohab é a empresa Pernambuco Participações (Perpart), empresa do Estado de Pernambuco”, conclui.

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