COTIDIANO

Mortes no sistema socioeducativo de PE são Massacre do Carandiru, diz conselheiro

Para Everaldo Patriota, comparando com o número de internos, a situação pernambucana pode ser considerada ainda mais grave

Tribunal de Contas de PernambucoTribunal de Contas de Pernambuco - Foto: TCE-PE

O chefe da missão emergencial encabeçada pelo Conselho Nacional dos Diretos Humanos (CNDH) para vistoriar o sistema socioeducativo de Pernambuco, conselheiro Everaldo Patriota, comparou as 40 mortes de adolescentes ocorridas em unidades de internação de 2012 a 2016 com o Massacre do Carandiru. Para ele, comparando com o número de internos, a situação pernambucana pode ser considerada ainda mais grave.

“É muito triste para o estado de Pernambuco 40 mortos, num período de cinco anos, considerando que toda a população internada não chega nem a 1,5 mil pessoas no estado. Vocês imaginem que em um presídio de 7 mil detentos, que foi Carandiru, 132 mortos nunca mais saíram da história da humanidade, não só no Brasil. Quiçá 40 pessoas para uma população internada de menos de 1,5 mil”, disse em entrevista coletiva hoje (25) à tarde no Recife.

A comitiva começou a missão emergencial ontem (24). A visita ocorre depois de duas rebeliões em menos de um mês nas unidades de internação da Fundação de Atendimento Socioeducativo (Funase) dos municípios de Timbaúba e Caruaru, que deixaram 11 mortos no total. Durante todas as atividades, denúncias graves de violações de direitos humanos foram apresentadas por todos os setores, de parentes e movimentos sociais a membros do Judiciário e do Ministério Público. Até mesmo o presidente da Funase, Roberto Franca, recém-empossado, confirmou os problemas e disse ter ficado impressionado com as condições do sistema.

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