Motim na Funase pode ter sido incitado, diz Gajop

“O que motivou a rebelião, segundo eles, é que de noite, eles foram agredidos com barras de ferro por alguns agentes.

O lançamento da Frente Parlamentar em Defesa do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) foi realizado com um ato político no Salão Nobre da Câmara dos DeputadosO lançamento da Frente Parlamentar em Defesa do Sistema Único de Assistência Social (SUAS) foi realizado com um ato político no Salão Nobre da Câmara dos Deputados - Foto: Chico Ferreira/PSB na Câmara dos Deputados

 Após fazer uma vistoria na Funase de Caruaru na segunda-feira, e conversar com os internos, a Coordenadora Executiva do Gabinete de Assessoria Jurídica às Organizações Populares (Gajop), Deila Martins, revelou à Folha o relato dos sobreviventes da rebelião. De acordo com ela, diferentemente da informação oficial do Estado de que o motim havia começado por rixas internas, os jovens afirmam que a confusão foi provocada pelos próprios agentes socioeducativos. Deila contou que houve uma grande sessão de espancamento e que os agentes incitaram a violência de um grupo contra o outro, o que reforça as denúncias de crueldade institucional dentro da Funase.

“O que motivou a rebelião, segundo eles, é que de noite, eles foram agredidos com barras de ferro por alguns agentes. Disseram que os agentes incitaram a violência entre eles.” A coordenadora explicou que 40 jovens ficavam separados dos demais, dentro do pavilhão 2. Eles afirmaram que os meninos de outros módulos foram incentivados pelos agentes.
Sem água encanada, usaram a de beber para combater o fogo. “Em momento nenhum, tiveram ajuda de adultos. Muitos não conseguiram combater as chamas e acabaram morrendo.” O Gajop apurou que, na noite do motim, apenas quatro agentes estavam na unidade para 195 internos. Além de água encanada, também faltava energia.

A coordenadora voltou a afirmar a reclamação dos jovens com a falta de escolarização dentro da Funase. “Ao longo de nossas vistorias sempre ouvimos essas reclamações. Existem professores nas unidades, mas, como não há agentes para levá-los até as salas, eles ficam sem aula.”

Angústia
Os pais dos jovens carbonizados na rebelião ainda não puderam velar os filhos. Eles precisam fazer exames de DNA para identificá-los no IML e não há prazo para os resultados. “Nem poder enterrar meu filho eu posso, parece até um cachorro”, disse Solange Ferreira, mãe de Everton, que tinha 17 anos.

 

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