Mourão defende retorno lento, gradual e seguro de atividades após pico do coronavírus

Para Mourão, é preciso que haja uma liberação paulatina das atividades não essenciais após o pico da doença

Hamilton Mourão, vice-presidente do governo Jair BolsonaroHamilton Mourão, vice-presidente do governo Jair Bolsonaro - Foto: Valter Campanato/Agência Brasil

O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, citou um bordão do fim do regime militar no Brasil para defender um processo de abertura "lento, gradual e seguro" das atividades após o pico da pandemia do coronavírus no país.

Para Mourão, é preciso que haja uma liberação paulatina das atividades não essenciais após o pico da doença. "Vou usar uma expressão do tempo do presidente [Ernesto] Geisel. Esse processo terá que ser lento, gradual e seguro. De modo que pouco a pouco as atividades vão retornado", afirmou em conversa com o jornalista Augusto Nunes, em live promovida pelo banco BTG Pactual.

O bordão citado por Mourão foi na gestão do presidente Ernesto Geisel, que governou o país de 1974 a 1979. Sob pressão política e econômica, Geisel buscou promover o que chamava de distensão "lenta, gradual e segura", um processo de abertura do regime marcado por solavancos e retrocessos.

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Mourão defendeu a continuidade da politica de isolamento para atravessar o pico da doença, segundo ele previsto para ocorrer até o dia 25 de abril, para achatar a curva de contágio de modo que o sistema de saúde dê conta da demanda.

"Ainda estamos naquele momento pré-pico. A avaliação é que temos que continuar com essa política do isolamento para atravessarmos esse mês de abril, e se espera que o pico da doença comece a ocorrer a partir do dia 20 ou 25 de abril, procurando o achatamento da curva", afirmou. "De modo que nosso sistema de saúde e a chegada dos insumos sendo comprados permitam que a gente supere esse momento", disse.

Após o período atual, de maior restrição de atividades em grande parte do país, ele acredita ser possível que segmentos como bares e restaurantes voltem a funcionar de forma restrita (por exemplo, com limitação do número de mesas) até que haja uma liberação total no futuro.

Ao mesmo tempo, disse, a indústria poderia fazer testagem em massa de empregados para o retorno das atividades com segurança a partir do momento que o país atravessar o pico da doença.

Mourão reconheceu que a velocidade de contágio no Brasil foi subestimada e chegou a dizer que a OMS (Organização Mundial da Saúde) demorou a classificar a situação como uma pandemia. "Nosso país, assim como a maioria dos outros países do mundo, julgou num primeiro momento que esse vírus não teria a velocidade de propagação que apresentou", disse.

Perguntado sobre o tom da imprensa, Mourão disse que ela tem o dever de informar. Mas concordou com a visão expressa pelo comentarista de que manchetes poderiam ser trabalhadas de outra forma para que não haja o que chamou de "histeria". Ele não exemplificou, no entanto, que forma seria essa.

O vice acredita que as regiões de fronteira com Venezuela, Peru e Bolívia demandam cuidado pelo risco de contágio do novo coronavírus. No país governado por Nicolás Maduro, disse Mourão, há informações limitadas sobre o número de infectados.

Outro tema sendo monitorado por Mourão são os incêndios na Amazônia e a consequente pressão sobre o governo. Segundo ele, enquanto as atenções estão voltadas à doença, os crimes de desmatamento continuam acontecendo e em julho ou agosto os incêndios que chamaram atenção global no ano passado devem voltar a ocorrer.

"No presente momento, a Amazônia está em estação de chuvas e está ocorrendo algum tipo de desmatamento. Toda a atenção está voltada ao coronavírus e essa outra frente vai emergir em julho e agosto. Vai ser outra pressão em cima de nosso governo, então vamos atacar isso desse já", disse ele, mencionando que será criada uma força-tarefa interministerial voltada ao tema.

 

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