Movimento negro de Pernambuco realiza ato contra violência policial após operação no Rio de Janeiro
Mobilização teve abrangência nacional com atos em outros estados; No Recife, a ação foi em frente ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual
O movimento negro de Pernambuco realizou um ato, nesta sexta-feira (31), em protesto contra a violência policial e as políticas de segurança pública.
O ato, organizado pela Articulação Negra de Pernambuco (Anepe), com apoio de diversos coletivos, organizações e movimentos sociais, ocorreu em frente ao Palácio do Campo das Princesas, sede do governo estadual.
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A mobilização teve como motivação a megaoperação policial realizada no Rio de Janeiro, na última terça-feira (28), que resultou em mais de 120 vítimas.
Os manifestantes reivindicaram uma investigação independente da operação no Rio de Janeiro e posicionaram contra o governador do estado fluminense, Cláudio Castro.
Protesto contra a violência policial. Foto: Ricardo Fernandes/Folha de Pernambuco. Movimentação nacional
Além de Pernambuco, outros estados se mobilizaram. Rio de Janeiro, São Paulo, Espírito Santo, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Bahia, Ceará, Maranhão, Rio Grande do Norte, Sergipe, Pará e o Distrito contaram com protestos.
De acordo com a deputada estadual Dani Portela (PSOL), que esteve presente no ato, a operação no Rio de Janeiro foi um extermínio e genocídio sem tamanho.
“Corpos enfileirados, mas que uma coisa a gente não tem dúvida: quase todos corpos negros. Esse modelo de segurança pública, que não ataca as verdadeiras raízes do tráfico. Quem financia o tráfico não está na favela, está na operação da Faria Lima, nos altos prédios, muitas vezes, infelizmente, na mais alta política, e precisamos atacar quem realmente financia o tráfico”, iniciou Dani.
Para a deputada, a lógica de guerra às drogas leva a um projeto de extermínio da juventude jovem, negra e periférica. “É um dia de pedir justiça. Não é apenas contra ou favor, polícia ou bandido. Uma operação bem sucedida não deveria perder nenhuma vida. Mais inteligência e menos violência”, completou a deputada estadual.
A professora e integrante do movimento Feministas Antirracistas Socialistas (FAS), Yasmin Alves, prestou solidariedade aos familiares de todas as vítimas da operação no Rio de Janeiro.
Professora e militante, Yasmin Alves. Foto: Ricardo Fernandes/Folha de Pernambuco.A professora também afirmou que o movimento negro luta pela melhora da qualidade de vida.
“Estamos aqui querendo que o estado garanta todos os direitos de emprego, renda e saúde para as periferias e juventude, para que o tráfico deixe de ser alternativa. Estamos aqui para propor uma alternativa que seja segura para todo mundo que vive no nosso estado e Brasil”, disse.

