Movimento negro vê desrespeito em antecipação de feriado em São Paulo

Carta argumenta que proposta da prefeitura paulistana é desrespeitosa com população negra no Brasil e ineficaz

Marcha da Consciência NegraMarcha da Consciência Negra - Foto: Arthur de Souza/ Folha de Pernambuco

Movimentos negros e outras instituições de todo o Brasil se posicionaram contra a antecipação do feriado de 20 de novembro, o Dia da Consciência Negra, como forma de aumentar a taxa de isolamento social em São Paulo e impedir a propagação do novo coronavírus. O texto, assinado por 13 entidades, afirma que a medida é desrespeitosa com a história dos negros no País. As informações são do R7.

A carta indica que as taxas de isolamento estão baixas porque boa parte dos empregadores seguem exigindo que os trabalhadores compareçam nos locais de trabalho. Como argumento, o texto aponta para o fato de que as taxas de isolamento social aumentam aos finais de semana e reduzem nos dias de semana.

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O alto índice de desemprego e precarização de trabalho, segundo a nota, fez com que muitas pessoas ingressassem no trabalho informal para se sustentarem por conta própria: “Para estes não existem finais de semana, feriados e nem isolamentos sociais sob pena de não ter o dinheiro mínimo para sustentar suas famílias”.

O texto pede apoio às populações negras e pobres do Brasil, e defende que a única forma de se garantir o isolamento social é “instituir mecanismos de transferência de renda para estes trabalhadores em uma situação em que possam garantir os seus sustentos”. Argumenta-se, ainda, que com um ou dois feriados antecipados não se resolverá a pandemia do novo coronavírus.

“A prefeitura quer fugir do enfrentamento da raiz do problema que é justamente a precarização do trabalho na cidade”, prossegue a nota, que propõe um misto de políticas públicas como programas de auxílio emergencial a nível municipal, instalação de centros provisórios de referência de combate ao vírus nos bairros periféricos, distribuição de kits de higiene, testagem massiva, respiradores em grande quantidade, entre outras medidas.

Por fim, a carta defende que a antecipação do feriado – “o único feriado existente no calendário que foi fruto de lutas de um movimento social brasileiro” – desrespeita a história da população negra no Brasil. "A população negra é a que mais tem se vitimizado com a epidemia. É a que mais tem se exposto a contaminação porque está neste segmento que é obrigado a sair às ruas para garantir o seu sustento. Não é justo que seja chamada também a renunciar a uma conquista sua”, conclui o texto.

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