MPPE abre inquérito sobre rachaduras na Via Mangue

Problemas têm início a partir do viaduto que cruza a avenida Antônio Falcão, em Boa Viagem, seguindo até as imediações do shopping Rio Mar, no Pina

Luciano Bivar (PSL), em entrevista à Rádio FolhaLuciano Bivar (PSL), em entrevista à Rádio Folha - Foto: Julya Caminha/Folha de Pernambuco

O Ministério Público de Pernambuco (MPPE) quer uma solução para as rachaduras existentes na Via Mangue, principal corredor viário da Zona Sul do Recife. O órgão deu início a um inquérito civil, onde cobra da prefeitura um relatório minucioso das condições de pavimentação da via. O trecho que chama a atenção é justamente a etapa mais nova da via expressa, aberta em janeiro deste ano. As obras que, no total, custaram mais de R$ 430 milhões, rapidamente apresentaram desgaste. No percurso de 4,6 quilômetros do eixo leste, por onde passam cerca de 50 mil veículos todos os dias, as fendas têm se multiplicado, podendo implicar em prejuízos e riscos de acidentes.

No sentido subúrbio/cidade os problemas têm início a partir do viaduto que cruza a avenida Antônio Falcão, em Boa Viagem, seguindo até as imediações do shopping Rio Mar, no Pina. “Com o sol e a chuva, a tendência é de piorar, começando a cortar pneus. Quem for desviar pode acabar batendo no carro que vem do lado”, opinou o taxista Eduardo Silva, 42, que costuma trafegar na região. A visão é compartilhada pelo advogado Irineu Medeiros, 53, que cruza a via diariamente no caminho de casa para o trabalho. “Por enquanto ainda passa despercebido da maioria. Mas chama a atenção o volume de dinheiro gasto para tão baixa qualidade”, indagou.

Conforme o documento, assinado pelo promotor de Justiça Hodir Leitão de Melo, a Empresa de Urbanização do Recife (URB) terá que apresentar medidas de reparação, informando o calendário de serviços. “Incluindo documentos que comprovem as medidas já adotadas, com vistas a reparar as rachaduras existentes na via”, coloca o representante do MPPE. O pedido teve como provocação o elevado número de denúncias recebidas pelos próprios usuários e averigua a utilização de materiais de baixa qualidade na construção.

Para o professor do departamento de Engenharia da UFPE, Maurício Pina, é preciso averiguar de perto a situação. “Não é normal uma falha deste porte em um pavimento com tráfego tão recente. Problemas de drenagem ou mesmo da terraplenagem em solo de mangue podem causar esse tipo de deformação. Existe um risco de ampliação das fissuras”, advertiu. Procurada pela Folha, a Prefeitura do Recife informou que deve produzir um laudo técnico sobre a situação do pavimento da Via Mangue. A gestão alegou que ainda não foi notificada, oficialmente, pelo Ministério Público, quando, então, deve se pronunciar sobre as medidas que serão adotadas.

Problemas

Principal elo entre o Centro e a Zona Sul do Recife, a Via Mangue demorou cerca de 20 anos para, efetivamente, sair do papel, ainda tropeçando em problemas estruturais. As deficiências na iluminação, que já se tornaram rotineiras, se dividem com os furtos das grades de proteção. Em vários trechos o material já desapareceu ou foi alvo de depredação. O cenário reforça a insegurança dos condutores. As dificuldades na área também se estendem aos pedestres das comunidades carentes do entorno, sem vez para caminhar. Os riscos de acidentes se repetem a cada travessia.

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