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MPPE apura cirurgias reparadoras em soropositivos

Órgão abriu inquérito para investigar falta de assistência para procedimentos de lipodistrofia facial em portadores do HIV/AIDS

Faz pelo menos três anos que os pacientes não são recebidos no Hospital Oswaldo Cruz (HUOC) Faz pelo menos três anos que os pacientes não são recebidos no Hospital Oswaldo Cruz (HUOC)  - Foto: Gustavo Glória

O Ministério Público do Estado (MPPE) instaurou um inquérito civil para investigar irregularidades na realização de cirurgias reparadoras para lipodistrofia facial em portadores do HIV/AIDS no Estado. A lipodistrofia consiste na perda de massa muscular (que acarreta malformações no rosto), decorrente dos efeitos das medicações para o tratamento de soropositivos e da própria doença. A intervenção a essas alterações consiste em operações de preenchimento. Segundo denúncia que chegou à promotoria de saúde, as duas unidades responsáveis pelas cirurgias, o Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC) e Imip, estariam sem realizar a assistência. No HUOC, faz pelo menos três anos que os pacientes não são recebidos. No Imip, o atendimento foi suspenso no fim de 2017 depois que as medicações perderam a validade.

“É muito complicado isso e nossa luta é constante. O Hospital Oswaldo Cruz foi credenciado para fazer o procedimento, mas nunca realizou o preenchimento facial. O Imip que era o lugar que ainda fazia de uma hora para outra parou no fim do ano porque as medicações para fazer o procedimento venceram e teve que jogar no lixo”, lamentou o representante estadual da Rede Nacional de Pessoas Vivendo do HIV/AIDS (RNP+PE), José Cândido. Ele destacou que a perda de massa muscular no rosto é um fator que derruba a autoestima do soropositivo ainda mais exposto na sua vulnerabilidade social. O paciente e representante regional da RNP+, Gerônimo Ribeiro, contou que esperou mais de um ano na fila para fazer o preenchimento, mas que depois de exames pré-operatórios foi informado que teria que esperar mais porque a droga utilizada estava fora da validade e foi descartada. A justificativa foi de que o único médico que faz a intervenção não conseguiu atender todas as demandas plásticas da unidade e por isso o material se perdeu. “Fiquei sem acreditar como deixaram a medicação vencer com tanta gente precisando, além do dinheiro jogado fora”, reclamou.

O inquérito está na 34ª Promotora de Justiça de Defesa da Cidadania da Capital Promoção e Defesa da Saúde, da promotora Ivana Botelho, que já pediu informações adicionais aos hospitais e ao governo. O documento afirma que há alguns anos havia sido pactuado com a Secretaria Estadual de Saúde (SES) um fluxo para a realização de cirurgias de preenchimento Facial no HUOC, mas que há pelo menos três anos a Secretaria não encaminha pacientes à unidade. Em relação ao Imip, o MPPE apura a informação de que a perda da validade da droga metacrilato não esteve diretamente relacionada à sobrecarga do serviço, mas ao fato de a SES ter encaminhado à unidade quantidade de material superior à capacidade instalada para a realização de preenchimento.

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Em nota, a Secretaria Estadual de Saúde informou que está em processo de compra do polimetilmetacrilato, utilizado no tratamento da lipodistrofia. O insumo será encaminhado aos serviços do Hospital Universitário Oswaldo Cruz e Imip. A expectativa é que a compra abasteça o Estado por mais de um ano. Por fim, a SES reforçou que o Programa Estadual de IST/Aids está trabalhando para qualificar o acesso dos pacientes a esse tipo de serviço e que tem dialogado com as instituições sobre o andamento da situação. O HUOC disse que corrobora a nota estadual. Já o Imip respondeu que aguarda a reposição de material, de responsabilidade da SES, para assim retomar os agendamentos dos procedimentos de preenchimento facial.

 

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