MPPE questiona Grande Recife sobre redução de assentos para idosos

A promotora Luciana Maciel Maciel Dantas Figueiredo deu prazo de 20 dias para o órgão justificar a medida. O Conselho Superior de Transporte Metropolitano também terá que se explicar

ÔnibusÔnibus - Foto: Rafael Furtado

O Grande Recife Consórcio de Transporte (GRCT) e o Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM) terão que prestar esclarecimentos ao Ministério Público de Pernambuco (MPPE) sobre a redução do número de assentos para idosos na parte dianteira dos ônibus. A promotora de Justiça Luciana Maciel Dantas Figueiredo deu prazo de 20 dias corridos para os órgãos explicarem e justificarem a decisão. O MPPE, que abriu inquérito nessa terça-feira (3) para apurar o caso, já acompanhava a situação, estudando medidas cabíveis, conforme adiantou a Folha de Pernambuco em 25 de março passado.

Quatro dias antes, no dia 21, as empresas de ônibus foram autorizadas a reduzir a quantidade de cadeiras reservadas instaladas antes da catraca, realocando algumas para a parte posterior. “Pedi esclarecimentos para saber o que embasou essa decisão. Inicialmente, não acho que foi uma medida correta. Creio que deve ser revista. Mas vou aguardar para entender a história toda”, conta a promotora Luciana, relatando que os ofícios já foram emitidos.

Na Portaria 025/2018, publicada na última terça-feira (3) no Diário Oficial do MPPE, a decisão é caracterizada como uma “barreira” no transporte. “A pessoa idosa tem dificuldade de visão, de locomoção. Tem o direito de estar em um local mais acessível”, prosseguiu Luciana.

   Opiniões divididas

Nas ruas, a medida ainda causa controvérsia. Edinalda Campos, 69, apontou que muitas pessoas na parte comum do ônibus não costumam levantar para os idosos sentarem. “Eles nem olham para a gente, viram a cara. Isso não dá certo. Deveria continuar como estava (na frente)”, opinou. Raquel de Lucena, 61, tem da mesma ideia. “É melhor ficar na frente. A gente fica mais perto do motorista”, afirmou.

Mas há quem aprove a medida, como Cidnélia Pereira, 65. “Acho que as pessoas estão mais conscientes atualmente. Vejo que alguns estão levantando para a gente sentar na parte de trás”, disse. Já Luiz Manoel, 67, foi mais enfático. “Nunca passei por desrespeito. Quem não levanta, a gente manda tirar”, contou.

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A reportagem da Folha procurou o Grande Recife Consórcio de Transporte (GRCT) e o Conselho Superior de Transporte Metropolitano (CSTM). O GRCT alegou que ainda não foi notificado oficialmente. “Somente após oficiado o documento e tomando conhecimento do seu teor é que o Consórcio poderá se pronunciar sobre o assunto”, disse, em nota. Já o presidente do CSTM, o secretário estadual das Cidades, Francisco Papaléo, optou por não se manifestar, endossando a resposta dada pelo Grande Recife.

 

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