Violência policial

Mulher algemada é agredida por policial em batalhão em Mato Grosso do Sul

O caso, que aconteceu no dia 26 de setembro, viralizou nas redes sociais

Tenente da PM, André Luiz Leonel Andréa, agredindo mulher de 44 anosTenente da PM, André Luiz Leonel Andréa, agredindo mulher de 44 anos - Foto: Reprodução

A direção regional da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Mato Grosso do Sul pediu, por meio de nota, o afastamento do policial militar acusado de agredir uma mulher algemada em um batalhão da PM em Bonito, um dos principais destinos turísticos do estado, a 296 km da capital Campo Grande.
 
O caso de violência policial aconteceu no dia 26 de setembro, mas as imagens da agressão só foram divulgadas no último final de semana e viralizaram nas redes sociais.
 
A vítima, uma mulher de 44 anos que não quer ser identificada, estava na cidade com os três filhos e teria se envolvido em confusão em um restaurante após reclamar da demora para receber uma refeição para a filha de três anos, uma criança que tem transtorno do espectro do autismo. Ela declarou à imprensa local que, além da demora de mais de uma hora, a criança foi ofendida no restaurante.
 
De acordo com o relato da vítima, logo após voltar para a pousada onde estava hospedada ela foi abordada por policiais, algemada e levada para o batalhão, onde as câmeras de segurança registraram a agressão.
 
O agressor é o segundo tenente André Luiz Leonel Andréa, comandante da Polícia Militar em Bodoquena, cidade localizada próxima a Bonito. As imagens mostram o homem dando socos, tapas e chutes na mulher. Outros policiais também aparecem na cena e ele só para ao ser contido por uma policial que aparece na parte final das agressões.
 
As imagens foram consideradas estarrecedores pela OAB, principalmente porque a violência foi praticada por um policial que tem o dever de cuidar da segurança das pessoas, "inclusive as custodiadas, como era o caso da mulher algemada dentro de um órgão público". Para a OAB, o episódio precisa ser apurado e o policial deve ser afastado das funções. 
 
"Reforçamos a nossa confiança nas instituições de Estado, acreditando que esse tipo de conduta cometida, sempre por uma minoria despreparada, certamente não representa a grandeza da instituição Polícia Militar de Mato Grosso do Sul", diz a nota.
 
A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul informou, também por meio de nota, que a mulher foi detida por suspeita de cometer os crimes de desacato, danos ao patrimônio, ameaça e resistência à prisão.


De acordo com a versão da polícia, uma equipe foi ao restaurante onde aconteceu a confusão após a mulher ter feitos ameaças no local, além de quebrar garrafas. Ainda segundo a polícia, ela precisou ser algemada durante a confecção do boletim de ocorrências porque "teria se exaltado contra os policiais" e por estar embriagada.
 
O coronoel Emerson de Almeida Vicente, comandante do CPA-3 (Comando de Policiamento de Área-3), determinou a abertura de um inquérito policial militar para investigar o ocorrido. 
 
O deputado federal Marcelo Freixo (PSOL) afirmou que a agressão é um retrato do despreparo e dos abusos de autoridade. "A justiça não pode nunca passar por agressão. A polícia deveria proteger, não atacar a população", disse.

 

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