Sáb, 18 de Julho

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RECIFE

Mulher presa por fingir ter 12 anos para aplicar golpe foi acolhida em abrigo para menores no Recife

A mulher, identificada como Amanda Maria Souza de Oliveira, completou 38 anos na quarta-feira (10), e foi denunciada por estelionato e falsa identidade

Mulher que se passava por adolescente de 12 anos para aplicar golpes já foi acolhida no RecifeMulher que se passava por adolescente de 12 anos para aplicar golpes já foi acolhida no Recife - Foto: Polícia Civil de Santa Catarina/Reprodução

A mulher presa por se passar por uma adolescente de 12 anos já foi recebida em abrigos no Recife antes de enganar uma família em Joinville (SC). Em julho de 2023, ela chegou a ser acolhida em uma casa de apoio para menores de idade após o Conselho Tutelar ser acionado.

A mulher, identificada como Amanda Maria Souza de Oliveira, completou 38 anos na quarta-feira (10). Por mais de 15 anos, ela fingiu ser criança e foi acolhida por desconhecidos mais de uma vez, em diferentes estados. Em Pernambuco, passou por três locais diferentes.

Por meio de nota, a prefeitura do Recife informou que a mulher foi atendida pelo Serviço Especializado em Abordagem Social (SEAS). O programa atua em diversos bairros da cidade com o acolhimento institucional, encaminhamentos para a rede de saúde, apoio para emissão de documentos e inclusão em programas e benefícios sociais para pessoas em situação de rua.

Em 21 de julho de 2023, a mulher "aceitou acolhida e foi encaminhada para o Abrigo Noturno Irmã Dulce dos Pobres", informou a prefeitura. Para ser registrada no ponto de apoio, que fica no bairro de São José, centro do Recife, ela apresentou o nome de Gabrielly Souza de Oliveira e informou ter 12 anos de idade.

"Diante da declaração, a equipe técnica acionou imediatamente o Conselho Tutelar do Recife e realizou seu encaminhamento para a Casa de Acolhida Raio de Luz, a fim de garantir sua proteção e evitar que permanecesse desassistida", completou a prefeitura.

Mesmo com o acolhimento aprovado, foram encontradas inconsistências nas informações prestadas, e a pasta precisou acionar a polícia. 

"O caso foi encaminhado à delegacia competente, onde foi registrado boletim de ocorrência. Após os procedimentos cabíveis, ela foi liberada", explicou a prefeitura.

Nova falsificação no Recife
Cerca de 10 dias depois, Amanda procurou o Centro POP José Pedro, no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife, em busca de mais um acolhimento na cidade. O equipamento que atende homens e mulheres adultos em situação de vulnerabilidade social, solicitando acolhimento temporário. 

No novo atendimento, ela apresentou mais uma vez uma identidade falsa. Além disso, por mais que afirmasse ter 18 anos, Amanda "buscava transmitir a impressão de que era menor", de acordo com a prefeitura.

"Durante o atendimento, chamou a atenção da equipe técnica por apresentar voz infantilizada, trejeitos compatíveis com alguém mais jovem e comportamento que indicava possível ocultação de informações pessoais", explicou.

Mulher tentou acolhimento no Centro POP José Pedro, no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do RecifeMulher tentou acolhimento no Centro POP José Pedro, no bairro de Boa Viagem, Zona Sul do Recife. - Foto: Google Street View/Reprodução

Por conta da quantidade de inconsistências na história e documentos apresentados, a equipe do Centro POP fez todas as verificações e identificou que se tratava da mesma pessoa atendida anteriormente pela rede de apoio.

"Após a confirmação de sua identidade, Amanda permaneceu por algumas horas no Centro POP José Pedro e, posteriormente, deixou o local por iniciativa própria", finalizou a prefeitura.

Estelionato e falsa identidade
O Ministério Público de Santa Catarina (MP-SC) denunciou Amanda Maria Souza de Oliveira por estelionato e falsa identidade.

De acordo com o MP, ela teria criado uma personagem falsa e simulado situações de vulnerabilidade para obter vantagens materiais, como moradia, alimentação, transporte e medicamentos, entre fevereiro de 2025 e junho de 2026. A denúncia foi recebida pela Justiça na terça-feira (9). A defesa de Amanda pediu uma avaliação de insanidade mental.

Na denúncia, o MP narra que a acusada teria criado a identidade fictícia de "Gabriele Ferreira dos Santos", simulando ser uma criança, permitindo que ela fosse acolhida pelas vítimas, que passaram a custear integralmente sua subsistência, incluindo comemoração de aniversário e até medicamentos de alto custo para emagrecimento.

O MP diz que Amanda "teria utilizado uma narrativa de abusos e situações graves, como supostos maus-tratos por parte de familiares e exploração, para sensibilizar as vítimas".

"Para dar credibilidade à história, ela teria adotado comportamentos compatíveis com a identidade fictícia, como fala infantilizada, uso de objetos típicos da infância e simulação de crises emocionais", diz o MP de Santa Catarina.

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