Madeleine McCann

Mulher que teria sido estuprada pelo principal suspeito do caso Madeleine McCann depõe no tribunal

Vítima diz que reconheceu método do possível abusador quando ele foi condenado por violentar uma idosa, em 2020; Além do sumiço de Madeleine, ele responde por outras cinco acusações

Christian Bruckner é o principal suspeito do caso Madeleine McCann e acumula acusações de violência contra mulheresChristian Bruckner é o principal suspeito do caso Madeleine McCann e acumula acusações de violência contra mulheres - Foto: Reprodução

O julgamento de Christian Bruckner, de 47 anos, principal suspeito ligado ao desaparecimento de Madeleine McCann, em 2007, e a outros crimes de violência e abuso sexual foi marcado nesta quarta-feira por mais uma acusação contra o réu.

Uma mulher afirmou ao tribunal que Bruckner entrou no apartamento em que estava hospedada, na região do Algarve, em Portugal, e a estuprou na manhã de 16 de junho de 2004 sob a mira de uma faca. Atualmente, ele está preso por violentar uma turista americana e responde por outras cinco acusações, de mulheres e meninas com idade de 10 a 80 anos.

Hazel Behan, 40 anos, prestou depoimento na cidade de Braunschweig, no norte da Alemanha, onde Bruckner é julgado pelos crimes que teria cometido entre dezembro de 2000 e junho de 2017. Ao relatar o que viveu há 20 anos, por mais de uma hora, a vítima teve que fazer várias pausas para retomar o fôlego.

— Senti um medo que nunca teria imaginado ser possível — disse, descrevendo o momento em que percebeu que estava sendo atacada pelo homem — O sangue fugiu do meu corpo. Eu senti que iria durar para sempre. Eu só estava tentando descobrir, como vou sair disso?

Segundo ela, Bruckner ficou junto da sua cama e a chamou pelo nome antes de iniciar o ato que durou horas. A mulher só teve coragem de fazer a denúncia em 2020, após notar um método de ataque muito semelhante quando seu possível abusador foi condenado em 2019 por violentar uma turista americana idosa.

O réu nega as acusações de agressão sexual e também que esteja envolvido no desaparecimento de Madeleine. Durante o relato impactante de Hazel, ele, que estava a poucos metros da vítima, não demonstrou reação e passou boa parte do tempo com o queixo apoiado nos dedos.

A polícia alemã começou a tratar Bruckner como principal suspeito do sumiço de Madeleine em 2013, embora ainda não tenham sido claro. Eles continuaram a investigar o caso, e chegaram ao ponto de dizer que já não acreditavam que Madeleine estivesse viva.

A audiência desta quarta-feira foi adiada por mais de uma hora depois que o advogado de defesa de Bruckner, Friedrich Fülscher, apresentou uma objeção à tradução oficial da entrevista de Behan de 2020 com a polícia criminal alemã, a BKA. Ele alegou que o policial que a entrevistou não estava qualificado para fazê-lo, tornando a entrevista nula e sem efeito. O pedido foi rejeitado pela corte, abrindo caminho para que Behan prestasse depoimento. Mais de 40 testemunhas devem depor até outubro.

Os procuradores alemães rejeitaram os protestos dos advogados de Bruckner de que ele não terá um julgamento justo devido à ligação que os procuradores estabeleceram, há muito tempo, entre ele e o caso McCann. O processo judicial está sendo supervisionado por um juiz e dois juízes leigos, mas nenhum júri está envolvido.

Caso Madeleine McCann

O caso de Madeleine McCann foi um dos mais misteriosos dos últimos tempos. A menina de três anos desapareceu repentinamente do hotel onde estava hospedada, em 2007, enquanto seus pais jantavam em um restaurante no mesmo complexo, em Praia da Luz, ao sul de Portugal. Nesse contexto, o detetive Mark Draycott, envolvido na busca, compareceu perante o Tribunal de Braunschweig no início do mês, para fornecer seu testemunho sobre o assunto. O que mudou o curso da busca foi uma mensagem no correio de voz de um ex-amigo do suposto autor desse crime, Christian Bruckner, que está atualmente sendo julgado pela justiça.

O desaparecimento de Madeleine é um dos mistérios não resolvidos mais impactantes do mundo. Tudo aconteceu em 3 de maio de 2007, quando a família composta por Kate e Gerry McCann estava de férias em Praia da Luz e a menina, que dormia no hotel, desapareceu sem deixar rastros. Na época, detetives do Scotland Yard e a polícia alemã seguiram as poucas pistas disponíveis e, ao longo dos anos, apontaram para quem hoje é o principal suspeito de tê-la sequestrado: Christian Bruckner.

"Ele disse que tinha informações"

Hoje, 17 anos após o desaparecimento, o Tribunal de Braunschweig está investigando o caso e julgando Christian Bruckner atualmente, embora por um caso anterior. O primeiro policial a ser convocado para depor foi o detetive Mark Draycott, que estava lá para responder perguntas sobre o desaparecimento de Madeleine porque trabalhou no caso na busca conhecida como Operação Grange, iniciada em 2011.

Em seu depoimento, ele forneceu um detalhe que pode ser crucial na investigação. Segundo ele, Helge Busching, um antigo amigo de Bruckner que o conheceu no Algarve (onde a família estava hospedada) durante os anos 2000, entrou em contato com a polícia britânica em 2017.

"Naquela época, ainda tínhamos um número de telefone público que era divulgado em todo o mundo. O público poderia ligar para fornecer informações sobre a Operação Grange, a investigação sobre Madeleine McCann. Um dos meus trabalhos era verificar as mensagens na secretária eletrônica. Em 18 de maio, verifiquei a secretária eletrônica e havia uma mensagem", disse o detetive.

Ele acrescentou: "Ele disse que tinha informações e deixou um número de celular grego. Depois liguei para este número e falei com um homem que agora sei que é Helge Lars Busching. Ele se referiu a si mesmo como 'Lars' e me deu informações relacionadas a Madeleine". O surpreendente foi que, em uma declaração que depois se tornou viral na mídia, Bursching disse que Bruckner esclareceu, sem mais detalhes, que "ela não gritou".

O detetive disse que conversaram durante dois dias antes de ele viajar para prestar depoimento. "Conforme a investigação continuava, ele estava feliz em dar um depoimento à polícia britânica. Ele disse que teve uma conversa com Christian no Festival de Orgiva em 2008. Essa conversa foi relacionada à Operação Grange", continuou.

O juiz perguntou se ele havia feito um juramento e o detetive respondeu: "Não fazemos testemunhas prestarem juramento. Nunca pagamos testemunhas por informações. Podemos pagar algumas despesas (e fazemos isso). Pagamos 35 euros para ele viajar de ônibus para Atenas para nos encontrar e pagamos suas despesas de volta para casa, na Grécia. Também reservamos um hotel barato para ele ficar na capital".

Atualmente, Christian Bruckner cumpre uma sentença de sete anos por estupro de uma idosa em 2019 e agora está sendo acusado de uma série de ataques sexuais em Portugal entre 2000 e 2017. Por outro lado, o acusado nega as acusações relacionadas ao caso Madeleine McCann.

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