Mulheres: 87% já sofreram abuso

Na contramão da maior presença das mulheres no mercado de trabalho e de outras conquistas his­­­tóricas, uma violência que não cessa.

Joana Casotti (PCdoB) é a primeira candidata trans registrada em PernambucoJoana Casotti (PCdoB) é a primeira candidata trans registrada em Pernambuco - Foto: Divulgação/Facebook

Uma sexta-feira voltada a ações de empoderamento. É o que propõe o Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher, celebrado neste dia 25. As razões surgem em números: 87% das brasileiras disseram já terem sido assediadas, conforme pesquisa. Aparecem também no dia-a-dia, sorrateira e inesperadamente, como a tentativa de estupro sofrida por uma jovem num cinema. O caso será apurado pela Polícia Civil, a mesma que, na quinta (24), junto a outros órgãos de segurança, mostrou resultados de uma operação que mobilizou o reforço de 2,5 mil policiais contra aquela e outras modalidades de violência. A ousadia criminosa, porém, segue gerando situações embaraçosas, como a fuga de um detento, em Itamaracá, “debaixo do nariz” de dois agentes penitenciários.

Na contramão da maior presença das mulheres no mercado de trabalho e de outras conquistas his­­­tóricas, uma violência que não cessa. Do assobio no meio da rua ao estupro consumado, as vítimas silenciosas do dia a dia se mostram em números: 87% das brasileiras que vivem em regiões metropolitanas já sofreram algum tipo de abuso, como mostra a pesquisa da Ac­­­tionAid. O percentual é maior que o de países como Tailândia, Índia e Grã-Bretanha (ver arte). O medo está na via deserta ou dentro de casa. Ontem, com cartazes e velas, mulheres fizeram uma vigília na Praça da Independência, no Centro, para protestar contra essa realidade.

“As condições são mais precárias nas periferias e no Inte­­rior. Dependendo da família na qual essa mulher vive, é dentro de casa que acontecem as maiores violências”, afirma a ativista da rede de Mulheres Negras de Pernambuco, Mônica de Oliveira.
O Mapa da Violência, divulgado em 2015, é o registro mais completo e atual da situação. Do total de feminicídios registrados em 2013, 33,2% foram praticados por parceiros ou ex-parceiros das vítimas. Para as negras, a situação é pior. “Elas são mais de 80% das mulheres que sofrem violência. O racismo é um elemento determinante desse sistema de violência”, ressalta Mônica.

Para lutar contra essa lógica, o Dia Internacional da Não Violência Contra a Mulher, hoje, marca o início da campanha global “16 Dias de Ativismo pelo Fim da Violência Contra as Mulheres”, promovida pela ONU desde 1991. Vai se estender até 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Humanos, mas as ações têm caráter permanente. “Não é só nos 16 dias que temos que dizer não à violência, mas é uma forma de visibilidade”, diz a secretária estadual da Mulher, Silvia Cordeiro. “Temos que estar sempre atentas ao machismo e convidar os homens a participar”, complementa.

O Hospital da Mulher do Recife (HMR) é um dos pontos que terão ações para a data, divulgando o Centro de Atenção à Mulher Vítima de Violência Sony Santos. Das 8h às 14h, serão realizadas palestras nos espaços em que as pacientes aguardam consultas e exames. “A ideia é levar informa­­­ções sobre questões como a Lei Maria da Penha”, diz a diretora geral do HMR, Isabela Coutinho.

Outra iniciativa é a campanha “Laço Branco: homens pelo fim da violência contra a mulher”, promovida pelo Instituto Papai, entidade que promove a equidade entre gêneros. Haverá atividades ao longo dos 16 dias, com ápice no dia 10, com uma programação na Praça da Várzea, na Capital.

 

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