Mulheres brasileiras vão às ruas dizer não a Bolsonaro

Aos gritos de #EleNão, mulheres de todo o Brasil ocuparão as ruas neste sábado (29) para manifestar sua rejeição ao candidato, que lidera as pesquisas para o primeiro turno das eleições presidenciais

Mulheres contra BolsonaroMulheres contra Bolsonaro - Foto: Reprodução

Aos gritos de #EleNão, mulheres de todo o Brasil ocuparão as ruas neste sábado (29) para manifestar sua rejeição ao candidato de extrema direita Jair Bolsonaro, que lidera as pesquisas para o primeiro turno das eleições presidenciais de 7 de outubro.

O movimento, convocado através das redes sociais, planeja passeatas em 80 cidades, do Rio Grande do Sul ao Ceará, passando por Pernambuco, São Paulo, Rio de Janeiro e Goiás. Também ocorrerão mobilizações em uma dezena de países, incluindo Argentina, Austrália, Canadá, Espanha, França, Portugal e Estados Unidos.

A ofensiva feminina foi proposta no início do mês com a criação do grupo no Facebook, "Mulheres contra Bolsonaro", que convoca todas as mulheres, sem distinção de partido político, "contra o avanço e o fortalecimento do machismo, da misoginia, do racismo, da homofobia e de outros tipos de discriminação".

As hastags #EleNão e #EleNunca logo se tornaram virais nas redes e em poucas semanas reuniram quase quatro milhões de adesões. "Mulheres do Brasil, mulheres de fora do Brasil, todas as mulheres, é hora de união. Vamos nos unir agora para lutar ou vamos nos juntar para chorar" depois?! - escreveu esta semana Ludimilla Teixeira, uma das administradoras do grupo. "Não podemos permitir que o fascismo avance no Brasil. Esta candidatura é nefasta".

Leia também:
Madonna e Cher aderem a movimento contrário a Bolsonaro
Brasileiro que abrigou ex-mulher de Bolsonaro diz não entender apoio ao candidato
'Se protejam, saiam juntas', diz Ciro a mulheres sobre protesto contra Bolsonaro
Bolsonaro e Haddad empatam tecnicamente entre as mulheres

"É um candidato extremamente fascista, racista e homofóbico", disse a atriz e cantora Letícia Sabatella. "Subestima as mulheres, subestima os homossexuais, subestima os negros", completa a atriz Caroline Abras. "Quero que você mulher pense muito bem se deseja este retrocesso na sua vida", afirmou a compositora Marília Mendonça.

Mobilização feminina sem precedentes

Na história recente do Brasil "não há registro de uma mobilização tão ampla e tão permeável relacionada às mulheres", disse à AFP Ligia Fabris Campos, professora de Direito da Fundação Getúlio Vargas (FGV). Para João Feres Junior, professor de Ciência Política do Instituto de Estudos Sociais e Políticos (IESP) da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ), "o movimento das mulheres é muito interessante porque ao mesmo tempo que tem uma efetividade eleitoral, também traz para frente do processo político a questão de gênero, uma coisa que nunca ocorreu no Brasil".

"Agora são as mulheres mesmo que reagem como mulheres a um candidato, e não para defender uma candidata mulher, mas como cidadãs contra um projeto político excludente que quer colocá-las para baixo, acho bem legal isso". Outro grupo de mulheres - "pró-Bolsonaro" - convocou por seu lado uma manifestação no Rio de Janeiro a favor do candidato, que se recupera de facada recebida durante um comício em Juiz de Fora, no dia 6 de setembro.

As pesquisas colocam Bolsonaro no segundo turno das eleições, em 28 de outubro, com o candidato do Partido dos Trabalhadores (PT), Fernando Haddad. Mas o alto índice de rejeição de Bolsonaro entre as mulheres pode deter o seu caminho à presidência.

Veja também

Acusado de canibalismo, Armie Hammer disse que quase foi esfaqueado durante sexo
Famosos

Acusado de canibalismo, Armie Hammer disse que quase foi esfaqueado durante sexo

Índia inicia grande campanha de vacinação contra a covid-19
Vacinação

Índia inicia grande campanha de vacinação contra a covid-19