Mulheres e homens relatam assédios sofridos em metrôs e ônibus

Vítimas não são só do sexo feminino. Vergonha é o principal motivo de muitos não denunciarem casos

Filme "Jack Reacher: Sem Retorno"Filme "Jack Reacher: Sem Retorno" - Foto: Divulgação

Com 345 mil pessoas frequentando o metrô por dia, é comum encontrar vagões lotados. Os passageiros se organizam como podem e algum contato físico é inevitável. Porém, há situações em que o contato passa dos limites morais. Torna-se violência. E, ao contrário do que uma sociedade machista imagina, o problema atinge a todos.

O estudante de direito Felipe Marques, 32, já viveu isso inúmeras vezes. Com amigas e sozinho. “A gente sabe que o metrô vive cheio, mas tem gente que não só passa por você. Fica ali encostando, não sai. E o movimento que faz não é o do metrô. Já passei por isso e percebi que o cara estava excitado”, disse. Na ocasião, ele tentou sair do local, mas não falou nada em público. “Fica um constrangimento para quem fala. Tem gente que não acredita e em vez de ajudar você, julga e tira sarro”.

A vergonha em contar que foi vítima de um assédio é comum nos relatos. Um estudante que prefere não se identificar já foi abordado no banheiro público que fica no Terminal de Integração Recife, mas não procurou a polícia nem a segurança do local por medo do constrangimento. “Fui ao banheiro para passar perfume. Um homem entrou e usou o banheiro. Até aí, normal. Mas, quando me virei para pegar minhas coisas, ele ficou insinuando... (obscenidades). Peguei minha mochila e sai”, relata. “Acho que mesmo que falasse não daria em nada”. Isso aconteceu há dois meses. O local faz parte do Sistema Estrutural Integrado (SEI), de responsabilidade do Grande Recife Consórcio de Transporte. O Grande Recife pede que quaisquer assédios sejam informados pelo 0800.281.8187 da Secretária da Mulher, ou em alguma delegacia, pois o Estado tem maior autonomia para agir sobre os casos.

Foi por esse mesmo motivo que Thainá Crementino, 21, não foi à polícia. Estava em pé no ônibus, grávida e com a filha de três anos em pé, entre as pernas, quando sentiu um homem abusando dela. “Eu já tinha passado por isso outra vez, mas dessa vez reagi e falei alto. Os outros passageiros me ajudaram”, lembra. O caso aconteceu há um ano. O agressor desceu com medo de ser espancado. A dona de casa não prestou queixa, mas disse que faria diferente hoje. “Eu não tinha consciência de que isso também era crime”.

Katerine Marques já presenciou outra mulher sendo abusada em ônibus. "A confusão só cessou quando ela desceu. Ele continuou no ônibus e agiu como se não fosse nada"
Há duas semanas, a estudante Katerine Marques, 27, presenciou uma situação parecida. “Todo mundo no ônibus percebeu. Ele estava segurando a mulher para se esfregar nela. Ela estava gritando para ele soltá-la, mas ele parecia não ouvir. A confusão só cessou quando ela desceu. Ele continuou no ônibus e agiu como se não fosse nada”, conta. O sentimento comum é que falta vigilância.

Segurança

Embora a CBTU afirme que pelo menos dois vigias trabalhem por estação, na Mangueira só trabalha um por turno. A Companhia prevê o acréscimo de 1,3 mil câmeras de segurança em alta definição e com identificação facial no início do próximo ano. O investimento, orçado em R$ 9 milhões, visa coibir ações desse tipo nas 29 estações e trens antigos que ainda circulam sem câmeras.

A CBTU reforçou ainda que investe R$ 18 milhões em segurança por ano. Para quem quiser fazer denúncias, o metrô disponibiliza o número 3455-4566, pelo qual depoimentos anônimos podem ser feitos 24 horas por dia.

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