'A França é parte da Amazônia', diz Macron

Com 83,534 km2, o território da Guiana Francesa ocupa uma pequena parte da Amazônia, presente em nove países com um total de 8,47 milhões de km2

Presidente da França, Emmanuel MacronPresidente da França, Emmanuel Macron - Foto: STEPHANIE KEITH / GETTY IMAGES NORTH AMERICA

"Eu respeito a preocupação de Bolsonaro, mas obviamente nós respeitamos a soberania dos países", disse o presidente francês, Emmanuel Macron, na noite desta segunda-feira (23).

Enquanto se deslocava entre reuniões na cúpula do clima do ONU em Nova York, Macron falou com exclusividade à reportagem.

Além de reforçar por três vezes que a cooperação internacional pela Amazônia respeita a soberania dos países, Macron disse que "a França é parte da Amazônia, então eu devo ser eficiente em buscar soluções."

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Com 83,534 km2, o território da Guiana Francesa ocupa uma pequena parte da Amazônia, presente em nove países com um total de 8,47 milhões de km2. O bioma é comumente citado como brasileiro pelo fato de o Brasil possuir 5,5 milhões de km2 da floresta amazônica.

Mais cedo, Macron havia se reunido com a chanceler alemã, Angela Merkel, e os presidentes de países amazônicos Iván Duque (Colômbia) e Evo Morales (Bolívia), além do vice-presidente do Suriname, Ashwin Adhin, e ainda do presidente do Chile, Sebastian Piñera, que sediará a próxima COP do Clima da ONU, em dezembro.

A reunião, às margens da cúpula do clima de Nova York, criou uma aliança entre doadores e países amazônicos para recuperar áreas degradadas pelo fogo na Amazônia e prevenir incêndios.

Citando a França e a Alemanha entre os doadores da iniciativa, afirmou que "quanto mais projetos concretos nós tivermos, mais nós vamos investir para combater a destruição da Amazônia".

"Todo mundo estava aqui. A porta está aberta para Bolsonaro também", afirmou. "Acho importante para Bolsonaro e para o povo brasileiro fazer parte dessa iniciativa".

Questionado se seguiria com a aliança mesmo sob oposição de Bolsonaro, Macron respondeu que "nós devemos isso ao povo brasileiro e ao resto da humanidade também".

Segundo ele, a aliança para prevenir incêndios e reflorestar as áreas degradadas é o segundo passo a ser tomado depois de combater o fogo. "Nós fizemos isso com uma cooperação concreta com Colômbia, Bolívia, todos os países que requisitaram nossa ajuda [no combate a incêndios]", afirmou.

A reunião também contou com ONGs internacionais, representantes das comunidades da Amazônia e os governadores dos estados do Amazonas e do Amapá.

Para Macron, a diversidade de representação para além de entes estatais é "um sinal de que podemos fazer uma governança inclusiva".

Ele também confirmou que o uso do termo "florestas tropicais" em vez de "Amazônia" na reunião foi uma tentativa de evitar atrito com Bolsonaro. "Sim, mas neste altura de tanta pressão, não poderíamos deixar de ter essa aliança", respondeu.

"Todos os líderes estão preocupados e completamente conscientes sobre a importância do tópico. Acho que o propósito final de todo mundo deveria ser o reflorestamento depois do fogo, a prevenção de incêndios e a conservação da floresta amazônica", disse.

Macron já havia demonstrado preocupação com os compromissos ambientais do Brasil desde a eleição de Bolsonaro, quando o presidente francês passou a anunciar que a permanência dos países no Acordo de Paris seria condicionante da relação comercial com a França.

A condição está prevista no acordo comercial entre União Europeia e Mercosul -que corre o risco de ser vetado pelo Parlamento Europeu após a crise das queimadas na Amazônia.

"Envio meus melhores votos ao povo brasileiro. São ótimas pessoas e temos muito respeito por elas", disse Macron ao fim da conversa.

*A jornalista viajou a convite da Anistia Internacional e do ICS (Instituto Clima e Sociedade)

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