Estado Islâmico

Agressor de Paris nasceu na Chechênia e era fichado como radical na França

Nascido na Rússia e naturalizado francês, Khamzat A., de 20 anos que matou uma pessoa à faca e feriu quatro, estava no Arquivo S da Inteligência francesa, onde constam radicais islâmicos e

Policiais e peritos no local onde houve ataque em ParisPoliciais e peritos no local onde houve ataque em Paris - Foto: Geoffroy Van Der Hasselt/AFP

Reivindicado pelo grupo Estado Islâmico (EI), o ataque a faca que deixou um morto em Paris foi cometido por um francês de 20 anos nascido na Chechênia e que estava fichado por radicalização. Identificado como Khamzat A., o agressor foi abatido por disparos da polícia logo após o ataque.

Segundo uma fonte judicial, o agressor é um francês nascido em novembro de 1997 na Chechênia, uma pequena república muçulmana da Federação da Rússia. Crescentemente islamizada, a rebelião separatista nesse país originou duas guerras desde o início dos anos 1990.

De acordo com a agência de notícias russa Ria Novosti, a embaixada da Rússia na França pediu às autoridades francesas "informações sobre a nacionalidade do agressor"."Seu pai e sua mãe foram postos sob proteção policial no domingo pela manhã", disse uma fonte judicial à AFP, acrescentando que o jovem "não tinha antecedentes judiciais".

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Ainda segundo os investigadores, os pais de Khamzat estão sendo interrogados em Paris, onde a família do agressor vive. Seu nome constava, porém, no chamado arquivo "S" dos serviços de Inteligência franceses, informaram fontes ligadas à investigação, ainda sem explicar os motivos do ato.

Esse arquivo conta com o registro de mais de dez mil pessoas consideradas perigosas, metade das quais é islamista radical, ou pessoas suscetíveis de terem contatos com movimentos terroristas. Inclui ainda "hooligans" do futebol, ou membros de grupos de extrema esquerda, ou de extrema direita.

Uma fonte judicial anunciou também que um amigo do agressor foi detido neste domingo (13) à tarde em Estrasburgo, onde vive uma comunidade chechena. O autor do ataque, que obteve nacionalidade francesa em 2010, viveu vários anos nessa cidade.

Nos últimos anos, centenas de chechenos se uniram às fileiras de grupos islamistas no Oriente Médio, no norte da África e em outras regiões, entre eles, o Estado Islâmico (EI) na Síria e no Iraque.

Feridos estão fora de perigo
Uma pessoa, de 29 anos, faleceu, e outras quatro ficaram feridas, vítimas das facadas do agressor que atacou aos gritos de "Allahu Akbar" (Alá é grande), segundo testemunhas. Os feridos, entre eles um luxemburguês de 34 anos, estão fora de perigo, declarou à noite o ministro francês do Interior, Gerard Collomb.

O grupo Estado Islâmico, que atacou a França várias vezes desde 2015, assumiu rapidamente a autoria do atentado.

"O autor desse ataque a faca em Paris é um soldado do Estado Islâmico, e a operação foi realizada em resposta aos apelos para tomar como alvo os Estados da coalizão", disse sua agência de propaganda, a Amaq.

"A França volta a pagar o preço do sangue, mas não cede um milímetro sequer frente aos inimigos da liberdade", reagiu no Twitter o presidente Emmanuel Macron.

O primeiro-ministro Edouard Philippe saudou "a excepcional reação das forças da Polícia", cuja intervenção permitiu evitar "um balanço maior".

A agressão aconteceu pouco antes das 21h (16h, em Brasília) no Segundo Distrito da capital francesa, perto da Ópera Garnier, um bairro turístico repleto de bares, restaurantes e teatros, muito frequentado no sábado à noite.

- 'Um ataque covarde e bárbaro' -
Perto do emblemático teatro da Ópera, as testemunhas do ataque relataram cenas de pânico.

"Ouvimos dois disparos, não sabíamos o que era. Vimos as pessoas que saíram correndo, e saímos correndo também", contou Sébastien, que estava na varanda de um café lotado, junto com dois amigos.

"Cruzamos com alguém que saía de um prédio e que disse ter visto o agressor degolando alguém. Várias pessoas se abrigaram no bar", acrescentou seu amigo Maxime.

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, que seguiu imediatamente para o local da agressão, afirmou: "Esta noite, nossa cidade foi ferida".

É "um ataque covarde e bárbaro que não pode ser reivindicado por nenhuma religião e que condenamos firmemente", disse a Grande Mesquita de Paris.

O último ataque letal ao país, em 23 de março passado, em Carcassonne, no sul do país, elevou para 245 o número de vítimas letais em atentados cometidos em solo francês desde 2015.

E não é o primeiro ataque a faca na França. Um ataque similar teve lugar em Marselha, no sudeste, em outubro de 2017.

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