Agressor do Louvre garante não ter agido por ordem do EI

Abdallah El-Hamahmy, um egípcio de 29 anos, explicou ter agido "por conta própria", "sem ter recebido ordens do grupo Estado Islâmico"

Pirâmide do Museu do LouvrePirâmide do Museu do Louvre - Foto: Reprodução/Wikipedia

O homem que na sexta-feira (3) atacou militares perto do museu do Louvre, em Paris, formalmente identificado como Abdallah El-Hamahmy, assegura que agiu sozinho, sem ser guiado pelo grupo Estado Islâmico (EI), indicou nesta quarta-feira (8) uma fonte próxima à investigação.

Abdallah El-Hamahmy, um egípcio de 29 anos, explicou ter agido "por conta própria", "sem ter recebido ordens do grupo Estado Islâmico" quando entrou no museu do Louvre para, em suas palavras, realizar uma ação simbólica contra a França - destruir obras do museu - em resposta "aos bombardeios da coalizão internacional contra os irmãos na Síria", segundo a mesma fonte.

Esta versão contradiz totalmente sua ação, quando chegou ao museu, com dois facões de 40 centímetros, e se lançou contra os militares gritando "Allah Akbar" ("Deus é o maior", em árabe). Para os investigadores, o suspeito "assume certa adesão à tese do EI".

Gravemente ferido por disparos dos militares, El-Hamahmy começou a falar com os investigadores na segunda-feira (6), mas seu estado de saúde se agravou muito na terça-feira (7) e, por isso, sua prisão preventiva havia sido cancelada.

Um dos militares ficou levemente ferido, mas o agressor acabou sendo atingido no abdômen por outro militar.

O agressor vem de uma família egípcia e trabalhava no comando de uma empresa nos Emirados Árabes Unidos. Nada indicava que pudesse cometer este ataque.

Uma situação inimaginável por seu pai, um funcionário de alto escalão já aposentado da polícia egípcia. Reda El-Hamahmy descreveu à AFP um "jovem comum" que não imaginaria atacando "quatro guardas" armados. Seu filho nunca havia dado sinais de radicalização.

O ex-policial não teve mais notícias do filho desde sexta-feira, e não sabe explicar os tuítes que citam um versículo do Alcorão que promete o paraíso para os que morrerem lutando por Deus.

Originário da cidade de Mansura, Abdallah El-Hamahmy cresceu em uma família praticante do islamismo moderado, segundo seu pai.

Após a Primavera Árabe, em 2011, que derrubou os governos de Zine El Abidine Ben Ali, na Tunísia, e de Hosni Mubarak, no Egito, seus tuítes levavam a pensar que via com bons olhos a chegada dos islamistas ao poder.

A data de sua chegada aos Emirados Árabes não foi determinada, mas sabe-se que ele votou no consulado egípcio em Dubai nas eleições presidenciais de 2012, vencidas pelo islamista Mohamed Morsi.

Sua estadia em Paris foi preparada com antecedência: visto solicitado em outubro e autorizado em novembro para ficar um mês a partir de 20 de janeiro de 2017. Em 26 de janeiro se instalou em um apartamento em Paris e dois dias depois comprou os facões.

Caso seu estado de saúde melhore, terá que enfrentar um juiz de instrução em seu julgamento.

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