Aids: África do Sul lança ensaio inédito para testar vacina experimental

Testes com o HVTN 702 iniciam em 5.400 voluntários

João Campos aguarda definições do seu partido e grupo político para saber qual desafio vai encarar em 2019João Campos aguarda definições do seu partido e grupo político para saber qual desafio vai encarar em 2019 - Foto: Julya Caminha/Folha de Pernambuco

 

A África do Sul lançará, nesta quarta-feira (30), um ensaio clínico inédito para testar uma vacina experimental contra a Aids, depois de 30 anos de esforços em vão. Pela primeira vez desde a identificação do vírus, em 1983, os cientistas acreditam ter encontrado um estudo promissor.

Batizado HVTN 702, o estudo envolverá durante quatro anos mais de 5.400 voluntários, homens e mulheres sexualmente ativos de entre 18 e 35 anos, em 15 locais distribuídos por todo o território sul-africano.

Este ensaio clínico, um dos mais importantes já realizados, reaviva a esperança da comunidade científica.

“Se for utilizada ao mesmo tempo que os métodos de prevenção com eficácia comprovada que já estamos usando, uma vacina segura e eficaz poderia ser o golpe de misericórdia contra o HIV”, afirmou Anthony Fauci, diretor do Instituto Nacional de Alergia e Doenças Infecciosas (NIAID) dos Estados Unidos.

“Até mesmo uma vacina moderadamente eficaz reduziria de forma significativa o peso da doença em países e populações muito infectadas”, acrescentou o responsável do NIAID, que participa do estudo.

A escolha da África do Sul para testar a vacina se deve a que este país tem um dos índices de prevalência de HIV mais altos do mundo (19,2% segundo a Unaids), com sete milhões de infectados.

No mundo, dois milhões e meio de pessoas por ano são infectadas pelo vírus, que causou mais de 30 milhões de mortos desde os anos 1980, segundo um estudo publicado na conferência internacional de Durban (Leste da África do Sul) em julho.

A vacina “sul-africana”, especialmente adaptada para as populações locais, é uma versão “reforçada” de uma vacina testada em 2009 na Tailândia em mais de 16 mil voluntários.

Esta permitiu reduzir em 31,2% os riscos de contágio, três anos e meio depois da primeira vacina.

“Ponto de inflexão”

A segurança da vacina “sul-africana” foi testada com sucesso durante 18 meses em 252 voluntários. O novo ensaio busca ratificar sua eficácia.

“Os resultados obtidos na Tailândia não são suficientes para seu lançamento (...).

Estabelecemos um limite mínimo de eficácia em 50%”, disse Lynn Morris, médico do Instituto Nacional de Doenças Contagiosas (NICD) da África do Sul.

“Temos a esperança de que a eficácia seja ainda maior”, disse recentemente ante os deputados o vice-presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa.

Mas apesar do otimismo que esta vacina suscita, os especialistas insistem na necessidade de não baixar a guarda frente à doença.

“Uma vacina eficaz seria um ponto de inflexão, mas estes ensaios durarão anos”, insistiu Morris. “Temos que continuar utilizando os outros métodos de prevenção para reduzir os novos contágios”, reiterou.

Os tratamentos antirretrovirais (ARV) continuam sendo de longe os mais eficazes contra a doença. Segundo a Onuaids, metade das 36 milhões de pessoas infectadas pelo HIV em todo o mundo têm acesso aos ARV - o dobro do que há cinco anos.

 

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