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Alemã do EI é julgada por deixar menina yazidi morrer de sede

A mulher, apresentada como Jennifer W., de 27 anos, havia partido da Alemanha para se unir ao EI em setembro de 2014, segundo a acusação. Em 2015, ela e seu marido compraram a menina e sua mãe para explorá-las como escravas

Estado Islâmico Estado Islâmico  - Foto: Wikipédia

O julgamento de uma alemã do Estado Islâmico acusada de crimes de guerra e de assassinato por deixar uma menina yazidi morrer de sede começou nesta terça-feira (9), em Munique, na Alemanha.

Os advogados que representam a mãe da vítima, incluindo a anglo-libanesa Amal Clooney e a prêmio Nobel da Paz Nadia Murad, consideram este julgamento como "o primeiro no mundo pelos crimes cometidos pelo EI contra os yazidis", minoria religiosa perseguida e submetida no Iraque pelos jihadistas a partir de 2014.

A acusada, apresentada como Jennifer W., de 27 anos e que pode ser condenada à prisão perpétua, havia partido da Alemanha para se unir ao EI em setembro de 2014, segundo a acusação.

Entre junho e setembro de 2015, patrulhava, armada e equipada com um colete cheio de explosivos, para a polícia moral em Fallujah e Mossul, duas cidades iraquianas. Esta força velava pelo respeito das regras de trânsito e vestimenta fixadas pela organização.

Presa graças ao FBI

Nessa mesma época, ela e seu marido compraram uma menina de cinco anos e sua mãe, ambas da minoria yazidi, para explorá-las como escravas, segundo a acusação.

"Um dia que a criança estava doente, molhou seu colchão. O marido da acusada a castigou, prendendo-a sob um sol a pino, deixando-a morrer de sede de maneira atroz", explicou a Procuradoria em um comunicado.

"A acusada deixou seu marido fazer isso e não fez nada para salvar a menina", acusou.

Para o advogado da defesa, Ali Aydin, interrogado por "Der Spiegel", "a questão é, na realidade, saber se minha cliente teria podido fazer algo".

Segundo a imprensa alemã, Nora B., a mãe da vítima que vive refugiada na Alemanha, disse aos investigadores que a acusada interveio apenas quando já era tarde demais. Desidratada, a menina morreu.

Jennifer W. foi detida pelos serviços de segurança turcos em janeiro de 2016 em Ancara, quando tentava tramitar sua documentação na embaixada da Alemanha. Alguns dias depois foi extraditada para seu país de origem.

Foi colocada em detenção provisória em junho de 2018, após ser detida quando tentava chegar a territórios controlados pelo EI na Síria.

Segundo "Der Spiegel", foi durante esta última tentativa de chegar à Síria que a mulher contou sua vida ao motorista que a conduzia no Iraque. O motorista era um informante do FBI, e o carro estava repleto de microfones. A Procuradoria usou essas gravações para processá-la.

'Excessivo, mesmo para o EI'
Nessa viagem, a mulher lhe teria contado sobre a morte da menina yazidi.

Em um comunicado conjunto, os advogados alemães da parte civil, Clooney e Murad, ex-escrava sexual do EI, reivindicam que Jennifer W. seja condenada por crimes contra a humanidade, tráfico de seres humanos e tortura.

As duas mulheres, que não estão em Munique nesta terça, lideram uma campanha internacional para fazer reconhecer os crimes contra os yazidis como genocídio.

"Este caso é importante para todos os sobreviventes yazidis. Cada sobrevivente com quem pude me reunir espera o mesmo: que os culpados sejam julgados (...) Este é, portanto, um grande momento para mim, para toda a comunidade yazidi", destacou Nadia Murad.

Na gravação do que disse Jennifer W., a mulher, segundo Der Spiegel, parece consciente da gravidade dos maus-tratos infligidos à menina. "Era excessivo, mesmo para o EI", teria dito.

De acordo com a revista, o grupo Estado Islâmico castigou fisicamente o marido da mulher por isso. O jornal Süddeutsche Zeitung noticiou que o homem, identificado como Taha Sabah Noori Al-J., estaria na zona fronteiriça turco-iraquiana.

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