Aleppo pode se tornar um ‘cemitério gigante’

Alerta foi dado pelo subsecretário da ONU. Moradores estão isolados, sem ajuda humanitária

Segundo o estudo, 78,1% das famílias com contas a pagar se endividam com os cartões de créditoSegundo o estudo, 78,1% das famílias com contas a pagar se endividam com os cartões de crédito - Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

 

O subsecretário-geral da ONU para Assuntos Humanitários, Stephen O’Brien, alertou o Conselho de Segurança da ONU nesta quarta-feira (30) que os moradores de Aleppo correm o risco de serem exterminados, caso não se consiga romper o cerco a essa cidade síria.

“Por razões humanitárias, pedimos - rogamos - às partes e a quem tem influência que façam tudo o que estiver a seu alcance para proteger os civis e que permitam o acesso à parte sitiada do Leste de Aleppo antes que se torne um gigantesco cemitério”, disse O’Brien.

Ao falar em uma sessão especial do Conselho de Segurança por videoconferência de Londres, O’Brien disse que o tempo se esgota à medida que o inverno chega.

Os residentes se veem obrigados a procurar comida nas lixeiras, os hospitais não estão funcionando após repetidos bombardeios e, desde o último sábado, 25 mil pessoas fugiram do Leste de Aleppo, relatou O’Brien. Ele acrescentou que os comboios de ajuda humanitária estão prontos para sair da Turquia e do Oeste de Aleppo, mas que, para isso, é necessário pôr um fim ao cerco e proteger os civis.

“Essas demandas não são novas e nem complicadas. São gestos comuns de humanidade que todos temos a responsabilidade de apoiar”, afirmou.

A parte leste de Aleppo tem sido um reduto-chave dos rebeldes desde 2012, e as forças do governo estão determinadas a retomar seu controle. Mais de 250 mil pessoas viviam no Leste quando o governo cercou a cidade há quatro meses.

O presidente sírio, Bashar al-Assad, conta com apoio militar e diplomático da Rússia. O‘Brien disse que lhe perguntam, insistentemente, “por que diabos o Conselho de Segurança não pode se unir para pôr um fim a esse sofrimento?”.

Ofensiva
As forças do governo, que conquistaram um terço do Leste de Aleppo desde domingo, avançavam para a zona rebelde com a ajuda de combatentes estrangeiros. Ontem, novos disparos de artilharia mataram pelo menos 26 pessoas, incluindo sete crianças, e deixaram dezenas de feridos no bairro rebelde de Jebb al Qobbeh, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH).

Muitas vítimas ficaram sob os escombros dos prédios que desabaram. Os Capacetes Brancos, o serviço de emergência na zona rebelde, informou que os disparos atingiram um grupo de civis que fugia dos combates.

 

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