Após bombardeios, rebeldes suspendem negociações de paz na Síria

A decisão vem após um dia de bombardeios do Exército sírio a Wadi Barada, região a 15 km de Damasco controlada por rebeldes

Durante a reunião, o presidente da Amupe, José Patriota, entregou ao ministro uma carta com 12 recomendações primordiais para o melhoramento da gestão pública municipal.Durante a reunião, o presidente da Amupe, José Patriota, entregou ao ministro uma carta com 12 recomendações primordiais para o melhoramento da gestão pública municipal. - Foto: Cláudio Gomes

Pelo menos dez grupos rebeldes sírios anunciaram nesta segunda-feira (2) a suspensão das discussões de paz previstas para Astana (Cazaquistão), após as "violações" da trégua em vigor há quatro dias.

"As violações prosseguem, as facções rebeldes anunciam [...] o congelamento de todas as negociações de Astana", informa um comunicado, que faz referência às conversações de paz previstas para o fim de janeiro no Cazaquistão, com o apoio de Rússia e Turquia.

A decisão vem após um dia de bombardeios do Exército sírio a Wadi Barada, região a 15 km de Damasco controlada por rebeldes. O objetivo da ação teria sido recuperar o controle de fontes de água vitais para a capital, enquanto os insurgentes denunciam uma violação da trégua global.

Vigente há quatro dias, o cessar-fogo deveria abrir caminho para negociações de paz previstas para daqui a algumas semanas em Astana (Cazaquistão).
Há duas semanas, antes da trégua, a Força Aérea bombardeou a área de Wadi Barada quase que diariamente.

Em 25 de dezembro, o governo acusou os rebeldes de "contaminar com diesel" a rede de abastecimento de água, enquanto estes últimos apontam sua negligência. Há uma semana falta água em Damasco, e seus habitantes fazem fila diante de caminhões-pipa.

Nesse contexto, os rebeldes de Wadi Barada alertaram para o perigo que paira sobre a trégua: "Pedimos aos patrocinadores da trégua que assumam a responsabilidade e pressionem o regime e suas milícias aliadas a parar as violações flagrantes do acordo", disseram, em um comunicado, acrescentando que, caso contrário, "vamos chamar todas as facções rebeldes que operam na Síria a desobedecer o acordo e inflamar as frentes".

Membros do grupo extremista islâmico Fateh al-Sham, ex-facção da Al-Qaeda na Síria, lutam ao lado dos rebeldes na região. Esse grupo, assim como o Estado Islâmico (EI), está excluído da trégua, o que torna o cessar-fogo muito difícil de ser aplicado. Mas um responsável da agremiação rebelde Kaich al-Islam, Abdel Rahmane al-Hamoui, desmentiu qualquer "presença do Fateh al-Sham ou de qualquer grupo excluído da trégua em Wadi Barada". Enfraquecidos, esses grupos rebeldes não podem se afastar da formação extremista, mais bem equipada e fundamental na luta contra o governo.

Já o EI atua sozinho nas regiões que controla no norte da Síria, onde continua a sofrer os bombardeios das aviações russa, americana, turca e síria.

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