Autoridades ucranianas e separatistas pró-russos trocam prisioneiros

De manhã, dois ônibus dos territórios separatistas chegaram a uma área protegida por militares ucranianos armados perto da cidade de Odradivka, no território controlado por Kiev

Volodymyr Zelenski, presidente da Ucrânia Volodymyr Zelenski, presidente da Ucrânia  - Foto: Reprodução

As autoridades ucranianas e os separatistas pró-russos no leste da Ucrânia começaram a troca de dezenas de prisioneiros neste domingo (29), uma operação que representa uma desescalada no único conflito armado ativo da Europa.

A presidência ucraniana anunciou em suas redes sociais que a operação "havia começado no posto de controle de Maiorske, na região de Donetsk". A mediadora da autoproclamada República de Donetsk, Daria Morozova, disse à imprensa russa que cerca de vinte pessoas, das 87 reivindicadas pelos separatistas pró-russos, se recusaram a ser entregues. Enquanto isso, Kiev deve receber 55 pessoas.

As autoridades ucranianas não forneceram números. "Uma verificação está sendo realizada", disse uma fonte ucraniana à AFP. Esta é a primeira troca direta entre beligerantes desde dezembro de 2017.

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Troca na linha da frente

De manhã, dois ônibus dos territórios separatistas chegaram a uma área protegida por militares ucranianos armados perto da cidade de Odradivka, no território controlado por Kiev, a alguns quilômetros da linha de frente, disseram jornalistas da AFP.

Alguns passageiros, visíveis a bordo, cobriram o rosto. Meia hora depois, outros três veículos escoltados pela polícia chegaram ao mesmo ponto na direção oposta. Eles foram seguidos por várias ambulâncias, carros da Cruz Vermelha e observadores da Organização para Segurança e Cooperação na Europa.

Do lado dos separatistas pró-russos de Donetsk, a televisão russa mostrava detidos ladeados por soldados armados. Nenhuma das partes comunicou a identidade dos prisioneiros trocados. Segundo informações não confirmadas da mídia ucraniana, os separatistas devem libertar principalmente militares ucranianos, além de ativistas ou jornalistas.

Kiev, por outro lado, pode vir a resgatar os condenados à prisão perpétua por terem cometido um ataque mortal em Kharkiv em fevereiro de 2015, bem como a polícia de choque detida por seu suposto envolvimento na sangrenta repressão das manifestações da Praça Maidan em 2014, que ocorreu antes do início da guerra no leste da Ucrânia.

A possibilidade da libertação do ex-policiais pílulas ultrajou uma associação de famílias de vítimas, que pediu ao presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, que se retratasse. Cerca de 200 manifestantes se reuniram, segundo a imprensa, no sábado à noite em frente a uma prisão na capital ucraniana para tentar impedir a troca.

Distensão com Moscou

Essa troca foi preparada no início do mês, durante a reunião realizada em Paris entre o presidente russo Vladimir Putin e o ucraniano Zelenski. Foi a primeira vez que Zelenski e Putin se encontraram frente a frente, com a presença dos líderes franceses e alemães.

Embora durante a reunião não tenha havido avanços concretos, como a retirada de armas pesadas, a restauração do controle de Kiev na fronteira com a Rússia ou a organização de eleições locais nessas regiões.

Desde a eleição, em abril, do novo chefe de Estado ucraniano, um ex-ator, houve um certo relaxamento com o Kremlin. Em setembro, Kiev e Moscou já trocaram 70 detidos, incluindo o cineasta ucraniano Oleg Senstov, libertado pela Rússia.

Da mesma forma, os dois lados recuaram em três pontos da linha de frente, e outras retiradas desse tipo devem ocorrer antes do final de março. Moscou também retornou à Rússia navios de guerra apreendidos pela Rússia.

A guerra no leste da Ucrânia, o último conflito armado ativo na Europa, causou mais de 13.000 mortes desde o início de 2014, algumas semanas depois que a Rússia anexou a península da Crimeia.

Pouco antes ocorreu a revolta pró-europeia da praça de Maidan, em Kiev, que precipitou a saída do presidente pró-russo Viktor Yanukovish. O Ocidente e a Ucrânia acusam Moscou de apoiar os separatistas militarmente, embora a Rússia negue.

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