Bloomberg diz que abrirá mão de acordos confidenciais em casos de abuso

O pré-candidato democrata à presidência dos EUA, Michael Bloomberg, é alvo de críticas devido a acordos de sigilo firmados entre mulheres e suas empresas em casos de assédio e abuso sexual

Michael BloombergMichael Bloomberg - Foto: GEORGE FREY / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / AF

Alvo de críticas devido a acordos de sigilo firmados entre mulheres e suas empresas em casos de assédio e abuso sexual, o pré-candidato democrata à presidência dos EUA Michael Bloomberg afirmou nesta sexta-feira (21) que suas companhias não farão mais esse tipo de pacto extrajudicial.

"Refleti muito sobre o tema nos últimos dias e decidi que, enquanto eu dirigir a companhia, não vamos oferecer mais, a partir de agora, acordos de confidencialidade para encontrar uma solução para as denúncias vinculadas com assédio sexual e comportamentos fora de lugar", afirmou o ex-prefeito de Nova York em um comunicado.

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O magnata disse também que vai liberar essas mulheres para tornarem as denúncias públicas, se desejarem. Segundo o texto, a Bloomberg LP identificou três acordos de confidencialidade assinados nos últimos 30 anos com mulheres após comentários feitos, segundo elas, pelo dono da companhia.

"Se querem ser liberadas de seu acordo de confidencialidade para poder falar sobre essas alegações, devem contatar a empresa e serão liberadas para isso", afirmou.
No debate democrata de quarta-feira (19), Bloomberg foi o principal alvo dos demais pré-candidatos, que criticaram seu passado controverso em igualdade de gênero, política criminal e transparência.

Um dos momentos mais fortes da noite foi o pedido da senadora Elizabeth Warren para que o bilionário tornasse públicos os acordos de sigilo extrajudiciais dos casos de assédio e abuso sexual.

A resposta de Bloomberg foi vaga: os acordos são consensuais, portanto, legalmente, ele não poderia tomar essa decisão. Ele disse também que "nenhuma das mulheres o acusou de nada além de talvez não terem gostado de uma piada que eu contei".

Nesta sexta, Warren reagiu à nova promessa de Bloomberg dizendo que "não é o suficiente". "Michael Bloomberg precisa fazer uma liberação geral para que todas as mulheres que foram silenciadas por acordos de confidencialidade possam contar seu lado da história nos termos que Bloomberg fez", afirmou a jornalistas, durante um ato de campanha em Las Vegas.

A campanha do ex-vice-presidente Joe Biden, que se uniu ao apelo de Warren no debate, disse nesta sexta que o comunicado de Bloomberg "não diz essencialmente nada ao público".

"Circulam histórias de terror sobre a cultura da Bloomberg LP sob a gestão de Bloomberg," disse a porta-voz de Biden, Kate Bedingfield. "Não sabemos quantas mulheres assinaram esses acordos de confidencialidade ou qual porcentagem isso representa do total", afirmou.

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