Boca de urna apontam incerteza em eleição no Equador

Duas pesquisas apresentaram quadros diferentes sobre o resultado final do primeiro turno da eleição

Presidente da República, Rafael Correa, votou na escola San Francisco de Quito Presidente da República, Rafael Correa, votou na escola San Francisco de Quito  - Foto: Eduardo Santillán/Presidência da República

Duas pesquisas de boca de urna apresentaram quadros diferentes sobre o resultado final do primeiro turno da eleição no Equador, que ocorreu neste domingo (19).

Segundo a empresa Market, haverá segundo turno. Os números deste instituto apontam Lenín Moreno, candidato do governo, com 36,2%, e seu principal concorrente, o direitista Guillermo Lasso, com 26,1%. A terceira colocada, Cynthia Viteri, teria obtido 23,1%.

Outro instituto de pesquisa, porém, o Opina Ecuador, indica que não haveria segundo turno, com a vitória já neste domingo do candidato governista. Os números dessa empresa apontam a Lenín Moreno com 42,3%, Lasso com 27,2%, e Viteri, 14,7%.

No Equador, para vencer no primeiro turno, o candidato deve obter 50% mais um voto, ou 40%, sendo que o segundo colocado fique pelo menos 10 pontos percentuais atrás.

Segundo o órgão que regula as eleições no país, houve 69,58% de participação dos equatorianos. O mesmo se pronunciaria com as primeiras projeções oficiais às 20h (22h em Brasília).

Assim que foram anunciados os números das duas sondagens, houve festa nos dois "bunkers". No de Lenín Moreno, o atual presidente, Rafael Correa, abraçava seu herdeiro político em tom de vitória.

Já no do oponente, Guillermo Lasso, os apoiadores aplaudiam e faziam festa, por considerarem o resultado de um segundo turno mais provável.

Lasso conta com a ideia de obter o apoio dos outros seis concorrentes num enfrentamento direto com Moreno, o que o ajudaria a superar o rival.

VOTAÇÃO

A votação ocorreu com normalidade, apesar de haver filas longas na maior parte dos locais de votação visitados pela reportagem. "São muitas as escolhas que cada um tem de fazer, o voto acaba sendo muito demorado", disse Michel Ramírez, responsável por um centro de votação em Cumbayá, na região da grande Quito.

A tarde ensolarada fez com que muitos habitantes da capital fossem para os parques e praças após votar. No centro histórico, vendedores de artesanato e souvenires contaram que tiveram de madrugar para não perder o dia de trabalho.

"Domingo é um dia de muito movimento, tem muito turista estrangeiro, não podemos perder tempo em filas de votação. Acordei mais cedo, era quase o primeiro da fila, para vir logo para cá", contou Ramiro Peláez, 64, enquanto mostrava anéis para um grupo de turistas belgas que faziam compras no mercado da Calle de las Siete Cruces.

Já na periferia, também madrugaram os vendedores ambulantes de comida, como em La Argelia, onde Sonia Simbraña, 39, disse que só iria votar no fim do dia. "Minha prioridade hoje era ter bastante coisa pronta para vender. Acordei cedo para cozinhar, fiz humitas, feijão, caldos. Em dia de votação, as pessoas não têm tempo de cozinhar em casa, então precisam almoçar na rua. Quando saem do voto, já estou com tudo pronto", explicou, sorridente. De fato, a barraca de Simbraña era das mais concorridas na saída do centro de votação local.

CORREA

Rafael Correa votou pela manhã, declarou estar certo de que não haverá segundo turno e que seu candidato, Lenín Moreno, será eleito hoje mesmo.

Disse também já estar "nostálgico" com relação ao fato de ter de deixar o cargo que ocupou por dez anos -o mandatário venceu três eleições, 2006, 2009 e 2013.

"Quando assumi, encontrei uma sociedade destroçada e desesperançada, hoje vejo nos rostos das pessoas o orgulho de serem equatorianos", afirmou, após votar, numa escola do norte da capital.

Acompanhado por vários seguranças e um grupo de acompanhantes que gritava seu nome, o presidente atuou quase como um candidato, carregando bebês e cumprimentando os votantes.

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