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Boca de urna indica empate entre presidente e opositor na Polônia

A Presidência é um cargo institucional no regime parlamentarista, mas na Polônia o presidente tem poderes para moderar iniciativas do governo

Andrzej Duda, presidente da PolôniaAndrzej Duda, presidente da Polônia - Foto: Petras Malukas/AFP

Andrzej Duda, presidente da Polônia e candidato à reeleição com o apoio do PiS (partido que detém o governo), obteve 50,4% dos votos, contra 49,6% de seu concorrente, Rafal Trzaskowski (pronuncia-se tshaskófski), da Plataforma Cívica.

A vantagem é tão apertada (a margem de erro é de dois pontos percentuais) que Duda comemorou "a vitória nas pesquisas" no discurso que fez às 16h (horário de Brasília), assim que as urnas foram fechadas e caiu o silêncio eleitoral.

Os resultados finais são esperados para segunda ou terça-feira.

Trzaskowski adotou um discurso cauteloso: "Estou absolutamente convencido de que nada nos derrotará, porque já vencemos, independentemente do resultado exato".

O candidato, que entrou na corrida apenas depois que o primeiro turno foi cancelado em 10 de maio, por causa da epidemia de coronavírus, comemorou uma campanha "que trouxe esperança a uma Polônia aberta, sorridente, tolerante e europeia".

Apesar do empate técnico nos números, era evidente a diferença de entusiasmo entre os apoiadores do presidente, que cantavam, gritavam slogans e agitavam bandeiras, e os partidários do candidato da oposição, que lotaram uma praça de Varsóvia para ouvir seu discurso com um semblante mais sério e preocupado.

A Presidência é um cargo institucional no regime parlamentarista (em que o primeiro-ministro chefia o governo), mas na Polônia o presidente tem poderes para moderar iniciativas do governo, o que explica a forte mobilização desta eleição.

O presidente polonês pode vetar leis (e o PiS não tem hoje os dois terços da Assembleia para derrubar os votos) e barrar indicações à Justiça (a reforma do Judiciário, que o governo acelerou a partir de 2017, é uma das principais preocupações dos opositores).

Se os resultados da pesquisa se confirmarem, Duda não deve ser obstáculo aos planos de mudança estrutural de Estado do PiS, que já mudou o sistema de educação e a comissão eleitoral, restringiu a propriedade de terras por estrangeiros e aumentou o controle sobre a mídia pública desde que voltou ao poder, em 2015.

Nos últimos anos, suas investidas mais criticadas tem sido para aumentar o poder sobre a Corte Constitucional (equivalente ao Supremo brasileiro).

Trzaskowski, que terminou o primeiro turno em segundo lugar, com 30,5% dos votos, contra 43,5% de Duda, era menos um candidato de si mesmo e mais o dos que não queriam ver o PiS com poder total até pelo menos as próximas eleições parlamentares, em 2023.

Com a mobilização, o comparecimento às urnas era maior que o do primeiro turno de acordo com números parciais divulgados quatro horas antes do final da votação.

A expectativa é que a participação supere a maior marca já registrada, de 64,7%, registrado no segundo turno de 1995.

A pesquisa da Ipsos mostra que a participação nas eleições foi de 68,9%, o que seria novo recorde.

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