Brasil não reconhece 'neste momento' vitória de Evo Morales no 1º turno

A contagem final, divulgada pelo Tribunal Supremo Eleitoral nesta sexta, mostrou Evo com 47,08% e Carlos Mesa com 36,51%

Evo Morales, presidente da BolíviaEvo Morales, presidente da Bolívia - Foto: AIZAR RALDES / AFP

Um dia após Evo Morales ser reeleito em um primeiro turno questionado, o que levou diversos países e organizações a solicitarem a realização de um novo pleito, o governo brasileiro disse, via Twitter, que não reconhece a vitória do atual presidente da Bolívia.

"Considerando-se as tratativas em curso entre a OEA e o governo da Bolivia para uma auditoria completa do primeiro turno das eleições naquele país, o Brasil não reconhecerá, neste momento, qualquer anúncio de resultado final", afirma a publicação do Itamaraty na noite desta sexta-feira (25).

Após a divulgação, na noite do último domingo (20), dos primeiros resultados parciais que indicaram a realização de um segundo turno, uma nova contagem, feita voto a voto, foi anunciada mais de 20 horas depois.

Leia também:
Com 99,99% das urnas apuradas, Evo Morales comemora vitória na Bolívia
Evo diz que direita tenta dar golpe de Estado na Bolívia ao não reconhecer sua vitória
Resultados parciais de eleições na Bolívia provocam tensão no país 

Nela, Evo aparecia próximo da vitória, levantando suspeitas de fraude entre oposição e observadores internacionais. Mesa, que governou o país entre 2003 e 2005, denunciou o processo como uma "fraude".

Os protestos na Bolívia continuam, com bloqueios de ruas e confrontos. Uma greve parcial foi realizada na capital junto a um protesto pacífico contra a apuração que, por margem estreita, deu ao atual presidente, desde 2006 no poder, um novo mandato de cinco anos.

A contagem final, divulgada pelo Tribunal Supremo Eleitoral nesta sexta, mostrou Evo com 47,08% e Carlos Mesa com 36,51%. Na Bolívia, um candidato vence no primeiro turno se obtiver pelo menos 40% dos votos e dez pontos percentuais de diferença para o segundo colocado.

México e Cuba parabenizaram Evo pela reeleição, mas União Europeia, Estados Unidos, Argentina e Colômbia, além do Brasil, se mostraram contra a questionada contagem de votos e exigiram a realização de um segundo turno para dirimir as dúvidas sobre o processo eleitoral.

A missão de observação eleitoral da OEA (Organização dos Estados Americanos) também recomendou outro pleito entre Evo e Mesa como a "melhor opção" para resolver o imbróglio. A proposta foi corroborada pelo secretário-geral da ONU, António Guterres.

O ditador venezuelano, Nicolás Maduro, por sua vez, pediu o reconhecimento da legitimidade da reeleição de seu aliado andino, em discurso na abertura da cúpula do Movimento Não Alinhado em Baku, capital do Azerbaijão.

Veja também

Mídia americana afirma que Trump indicará Amy Coney Barrett para Suprema Corte
internacional

Mídia americana afirma que Trump indicará Amy Coney Barrett para Suprema Corte

Em campanha por todo o país, Trump ironiza Biden por não realizar comícios
EUA

Em campanha por todo o país, Trump ironiza Biden por não realizar comícios