Caça a elefantes custa US$ 25 milhões a países africanos

O mercado ilícito de marfim, derivado das presas, chega aos U$ 597 milhões por ano, segundo pesquisa

Extra: supermercado faz parte do Grupo Pão de Açúcar, controlado pelo francês CasinoExtra: supermercado faz parte do Grupo Pão de Açúcar, controlado pelo francês Casino - Foto: Divulgação

O lucrativo mercado de marfim prejudica o turismo dentro da África. Um estudo divulgado nesta terça (1º) afirma que países africanos perdem possibilidades de turismo com a matança de elefantes e deixam de ganhar cerca de US$ 25 milhões por ano. A pesquisa foi publicada na revista científica "Nature Communications".
A preservação dos grandes mamíferos é um assunto urgente. Com a caça, as populações do animal recentemente diminuíram mais de 60%.

As presas dos elefantes são o alvo. Os caçadores matam os animais, retiram as presas e as vendem no mercado ilegal asiático, mesmo com as restrições comerciais impostas internacionalmente. O mercado ilícito de marfim, derivado das presas, chega aos U$ 597 milhões por ano, segundo os autores da pesquisa. Contudo, é um dinheiro que envolve poucos e não beneficia as populações locais. O estudo, então, se propôs a estimar os benefícios monetários da preservação dos elefantes africanos.

A pesquisa verificou o número de turistas em 164 áreas protegidas (correspondentes aos estados no quais estão 90% dos elefantes do continente), considerou gastos diretos e indiretos dos visitantes e também se utilizou de dados referentes às populações e à caça de elefantes. Os resultados mostram que, em geral, turistas gostam de elefantes. Acompanhando o que se já se sabia de pesquisas anteriores, há uma forte relação entre a presença de elefantes em reservas e a visitação turística.

Contudo, por conta da caça, que diminui a presença de elefantes nas áreas protegidas e, consequentemente, a quantidade de turistas, os países africanos deixam de ganhar cerca de U$ 25 milhões por ano. Desse total, U$ 9 milhões estariam relacionados a gastos diretos dos visitantes e os outros U$ 16 milhões a gastos indiretos. O investimento na proteção dos elefantes se paga, segundo a pesquisa. Ou seja, há retorno monetário dos investimentos, mesmo que não seja instantâneo. A pesquisa conclui que esse é um "investimento sábio" com retorno contínuo.

Problemas

A pesquisa analisou os cenários dos elefantes africanos de savana e os de floresta, e a situação para os últimos não é muito positiva. Enquanto o investimento em proteção traz retornos econômicos no caso dos animais de savana, o mesmo não acontece nos de floresta. Os elefantes de floresta são os mais caçados. Ao mesmo tempo, do ponto de vista econômico e turístico, os esforços para sua conservação trazem retornos quase desprezíveis. Isso ocorre por eles se encontrarem em áreas de difícil acesso e baixa visibilidade.

Isso demonstra, segundo os pesquisadores, que a conservação da biodiversidade não pode ser somente vista pelo lado financeiro, mas também levando-se em conta aspectos éticos e morais. Além disso, a pesquisa reconhece que nem sempre as divisas geradas por turismo de natureza vão para comunidades locais e as beneficiam. Contudo, os autores afirmam que há exemplos de sucesso em iniciativas relacionadas a elefantes africanos.

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