Câmara aprova verba para muro, mas governo dos EUA ainda pode parar

Medida não deve ser suficiente para impedir uma paralisação parcial do governo a partir de sábado (22)

Donald TrumpDonald Trump - Foto: Brendan Smialowski/AFP

A Câmara dos Deputados dos Estados Unidos aprovou, na noite desSa quinta-feira (20), uma lei que prevê financiamento para o muro que o presidente Donald Trump quer construir na fronteira com o México. Ainda assim, a medida não deve ser suficiente para impedir uma paralisação parcial do governo a partir de sábado (22).

Os deputados aprovaram, pelo placar de 217 a 185, a lei que manteria o governo financiado até 8 de fevereiro, e alocaram o valor de US$ 5 bilhões para a construção do muro, uma das exigências feitas por Trump para não ir em frente com a paralisação.
O documento inclui ainda US$ 8 bilhões adicionais em fundos para desastres, como furacões e incêndios.

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Ainda assim, o impasse permanece. No Senado, os democratas, que se opõem ao financiamento do muro, têm votos suficientes para bloquear qualquer lei que inclua dinheiro para a medida. O presidente, por sua vez, diz que vai vetar o documento se ele não contemplar os recursos.

Os US$ 5 bilhões adicionais para construção do muro estariam disponíveis neste ano fiscal -que termina em setembro de 2019, mas poderiam ser usados até 30 de setembro de 2023.

Na quarta-feira, o Senado aprovou uma proposta apoiada pelo senador democrata Chuck Schumer, de Nova York, e pela líder da minoria democrata na Câmara, Nancy Pelosi, que não contemplava recursos para o muro. Trump indicou que não aceitaria a lei.

O financiamento de quase 25% das agências federais cujo orçamento depende do Congresso expira no final de sexta-feira. Os órgãos lidam com áreas como segurança doméstica, fiscalização da lei, parques nacionais e transporte, entre outras. O restante do governo, incluindo a Defesa, não seria afetado, porque tem recursos para se manter até setembro por meio de leis já aprovadas no início do ano.

As agências atingidas pela paralisação continuariam a desempenhar algumas de suas funções, mas mais de 100 mil funcionários poderiam ser mandados para casa sem pagamento.

Antes da aprovação da lei na Câmara, Schumer afirmou que era uma "vergonha" que o presidente, "que está mergulhando a nação no caos", esteja fazendo outra "birra" e vá "machucar muitas pessoas inocentes." "A birra de Trump pode provocar uma paralisação do governo; [mas] não vai dar a ele este muro."

Na última semana, Schumer e Pelosi travaram uma discussão acalorada com o republicano sobre o financiamento do muro. Trump deve tirar duas semanas de recesso na Flórida a partir desta sexta. Não está claro se o presidente manteria os planos, em meio à ameaça de paralisação do governo. O líder da maioria republicana no Senado, Mitch McConnell, advertiu aos membros do partido nesta quinta que eles poderiam ter que voltar a votar na sexta. Ainda assim, ele não conseguiria passar a lei sem o apoio democrata.

A construção do muro ao longo da fronteira com o México foi uma das promessas de campanha de Trump em 2016. O presidente desejava que o país vizinho pagasse pela obra. Desde que foi eleito, o republicano tem exigido dinheiro do Congresso, buscando entre US$ 1,6 bilhão e US$ 5 bilhões. Em certo momento, chegou a insistir que os democratas liberassem US$ 25 bilhões para o muro.

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