Canadá rejeita acusações de Brasil sobre subsídios à Bombardier

"As associações público-privadas são a norma nesse setor. Somos otimistas sobre o fato de que nosso anúncio respeita o direito internacional", disse o porta-voz Joseph Pickerill

O Canadá rejeitou nesta quarta-feira as acusações do Brasil, que questionou oficialmente na Organização Mundial do Comércio (OMC) os subsídios do país à fabricante de aviões Bombardier.

"As medidas de apoio à indústria aeroespacial, incluindo a Bombardier, foram desenvolvidas com pleno conhecimento das regras da OMC e se ajustam às suas condições", disse um porta-voz do ministério do Comércio do Canadá em um e-mail enviado à AFP.

"As associações público-privadas são a norma nesse setor. Somos otimistas sobre o fato de que nosso anúncio respeita o direito internacional", disse o porta-voz Joseph Pickerill.

O Brasil iniciou as consultas na OMC nesta quarta-feira, um dia depois de o governo canadense ter dado à Bombardier um empréstimo de 372,5 milhões de dólares canadenses (264 milhões de euros).

O governo brasileiro disse nesta quarta-feira que os subsídios canadenses "afetam artificialmente a concorrência internacional do setor, de maneira incompatível com as obrigações assumidas pelo Canadá na OMC".

Paulo César Silva, presidente da Embraer, disse que o subsídio é "fundamental para o desenvolvimento e sobrevivência do programa C-Series, além de permitir à Bombardier oferecer suas aeronaves a preços artificialmente baixos”.

Os C-Series são aviões de fuselagem estreita, que competem no mercado de aeronaves de 100 a 150 lugares.

"A Embraer está diante de uma situação em que o melhor produto é o C-Series e tem dificuldade para competir com a empresa", disse à AFP Simon Letendre, porta-voz da Bombardier.

"A Embraer mesmo recebe diferentes contribuições do governo brasileiro em diferentes formas", disse a Bombardier. Segundo ele, a companhia brasileira recebeu mais de 2 bilhões de dólares para desenvolver aviões executivos como o Legacy 500 e militares como o KC 30.

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