Charlie Hebdo: Dois anos de resistência

Neste aniversário sombrio, a revista mais uma vez lançou mão do humor negro

A expectativa é que mais de  R$400 bilhões sejam liberados para os estados e municípios em 15 anosA expectativa é que mais de R$400 bilhões sejam liberados para os estados e municípios em 15 anos - Foto: Divulgação

Dois anos depois do atentado que dizimou sua redação em Paris, o semanário satírico francês Charlie Hebdo mantém intacta sua insolência e reivindica o direito a fazer piada de tudo, apesar de seu diretor assegurar que a publicação nunca foi tão criticada.

Neste aniversário sombrio, a revista mais uma vez lançou mão do humor negro: “2017, enfim, o fim do túnel”, estampa sua capa esta semana, junto a um personagem que olha o cano de um fuzil, empunhado por um islamita.

Naquele 7 de janeiro, dois anos atrás, a França sofria o primeiro de uma série de atentados cometidos por extremistas islâmicos, que deixaram 238 mortos até agora. Naquele dia, os irmãos Said e Cherif Kouachi invadiram a sede parisiense do semanário e executaram 11 pessoas, entre elas vários de seus renomados cartunistas: Cabu, Wolinksi, Charb, Honoré, Tignous.

O Charlie Hebdo foi atacado - segundo a rede Al Qaeda, que reivindicou o atentado - por ter representado o profeta Maomé. Em resposta, milhões de pessoas adotaram nas ruas e na internet o lema “Je suis Charlie” (Eu sou Charlie), transformando o semanário em um símbolo da liberdade de expressão.

O periódico vende atualmente cem mil exemplares semanais, contra trinta mil antes do massacre. Os recursos obtidos desde então lhe permitiram se expandir: sua página na internet está parcialmente traduzida ao inglês e na Alemanha acaba de ser lançada uma versão em papel.

Mas o semanário também pa­ga o preço de sua popularida­de: seus desenhos costumam despertar críticas e ameaças.

“Curiosamente, temos a impressão de que agora as pessoas são mais intolerantes com o Charlie. Estão à espreita de qualquer coisa com nossos desenhos”, explica Riss, diretor da publicação. “Antes, nos diziam que tivéssemos cuidado com os islamitas e agora é preciso ter cuidado com os islamitas, os russos, os turcos”, confidencia. 

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