China 'protesta solenemente' aos EUA após conversa de Trump com Taiwan

Presidente eleito nos EUA rompeu décadas de uma política americana ao aceitar falar com a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen

Mendonça Filho (DEM) foi um dos articuladores da MPMendonça Filho (DEM) foi um dos articuladores da MP - Foto: Marcelo Camargo/ Agencia Brasil

A China protestou solenemente ante os Estados Unidos após o telefonema da presidente taiwanesa, Tsai Ing-wen, ao presidente eleito americano, Donald Trump, contrariando o princípio de uma "China única", apesar de os analistas descartarem maiores consequências.

"Transmitimos um protesto solene à parte americana correspondente. É preciso insistir no fato de que só existe uma China e que Taiwan é parte inalienável do território chinês", afirmou em um comunicado o ministério chinês das Relações Exteriores.

O presidente eleito, Donald Trump, rompeu décadas de uma cautelosa política americana na sexta-feira (2) ao aceitar falar por telefone com a presidente de Taiwan, Tsai Ing-wen, que telefonou para o magnata para felicitá-lo.

Durante a conversa, Trump e Tsai Ing-wen "mencionaram os estreitos laços econômicos, políticos e de segurança" entre Taiwan e Estados Unidos, indicou a equipe de transição do futuro chefe de Estado americano. "O presidente eleito Trump também cumprimentou Tsai por ter se tornado presidente de Taiwan no começo deste ano", acrescentou.

A China considera a autônoma Taiwan como parte de seu próprio território à espera de reunificação, quando ficaria subordinada a Pequim, e qualquer iniciativa americana que possa indicar apoio à independência representaria uma grande ofensa.

Washington cortou relações diplomáticas com a ilha em 1979 e reconhece Pequim como o único governo da "China Única", embora extraoficialmente mantenha laços amigáveis com Taipé. Mas Tsai se recusa a aceitar a política da "China Única", levando Pequim a cortar todas as comunicações oficiais com o novo governo da ilha.

Após a notícia do telefonema, a Casa Branca reafirmou na sexta-feira a política que reconhece Pequim como único governo da "China Única". "O governo da República Popular da China é o único governo legítimo representante da China. É um fato reconhecido pela comunidade internacional, e o fundamento político das relações sino-americanas", insistiu o comunicado do ministério chinês das Relações Exteriores.

Inexperiência de Trump

Mais cedo, neste sábado, o chanceler chinês pareceu culpar Taiwan pelo incidente. "Não é mais do que uma golpe baixo inventado por Taiwan, que simplesmente não pode mudar o âmbito de uma China Única já integrada pela comunidade internacional", afirmou Wang Yi ao canal Phoenix TV de Hong Kong. "Eu não acredito que isso muda a política adotada há anos pelos Estados Unidos", acrescentou.

"É uma manobra muito inteligente de Tsai. Como Trump ainda não é presidente, não há necessariamente quaisquer problemas jurídicos", observa Jin Canrong, co-diretor do Instituto de Relações Internacionais da Universidade do Povo de Pequim.

"Este telefonema é muito revelador" das ambições da presidente de Taiwan, que pertence a um partido com posições tradicionalmente pró-independência e que gostaria de uma "oposição mais aberta" de Washington, disse à AFP.

No entanto, especialistas dizem que é improvável uma mudança na política do futuro presidente dos Estados Unidos em relação à China. "Pela maneira como Trump respondeu chamando Tsai de 'presidente', mostra que não conhece muito sobre o caso de Taiwan", assegura Jin.

Trump defendeu sua atitude em uma série de tuítes. "A presidente de Taiwan me ligou hoje para me felicitar por vencer a presidência. Obrigado!", escreveu Trump em um primeiro tuíte.

Uma hora mais tarde, voltou a escrever: "É interessante perceber que os EUA vendem a Taiwan bilhões de dólares em equipamento militar, mas que eu não devo aceitar um telefonema de parabéns".

Veja também

Ataque suicida perto de escola deixa 18 mortos no Afeganistão
TERROR

Ataque suicida perto de escola deixa 18 mortos no Afeganistão

Espanha considera 'estado de alarme' por Covid-19; Madri impõe novas restrições
Coronavírus

Espanha considera 'estado de alarme' por Covid-19; Madri impõe novas restrições