Ciberataques atingem Venezuela

Ações de hackers ocorrem um dia após uma invasão à base militar em Valência, ao Norte de Caracas, onde duas pessoas morreram e oito foram presos

Páginas invadidas mostraram discurso do filme “O Grande Ditador”,  de Charles ChaplinPáginas invadidas mostraram discurso do filme “O Grande Ditador”, de Charles Chaplin - Foto: The binary grandians/twitter

Dezenas de sites da Venezuela, vários deles de órgãos estatais, foram alvo nesta segunda-feira (7) de um amplo ciberataque, em apoio à recente invasão de uma instalação militar no país. O grupo de hackers autodenominado The Binary Guardians se responsabilizou pelo ataque, que afetou portais como o do governo, o da Suprema Corte e o do Parlamento. O ataque também afetou empresas privadas, como o serviço de TV por assinatura DirecTV e a companhia de telefonia Digital.

O Binary Guardians mostrou no Twitter que substituiu os designs das páginas iniciais de muitos desses portais por um panfleto que dizia "Operação David". Ao lado, um trecho do discurso de Charlie Chaplin no filme "O Grande Ditador". O "The Binary Guardians", grupo que diz não temer "nada nem ninguém", repudia "a censura e os governos corruptos" e luta "pela liberdade e os direitos das pessoas", disse que o objetivo deste ataque é apoiar um assalto militar ocorrido no domingo no litoral venezuelano.

A presidente da Conselho Nacional Eleitoral (CNE), Tibisay Lucena, afirmou que na semana passada o órgão tinha sido alvo de vários ataques digitais que impediram a inclusão em seu site dos resultados da eleição da Assembleia Nacional Constituinte (ANC).

Ataque

Três oficiais venezuelanos, um deles na ativa, participaram do ataque ao forte de Paramacay, na cidade de Valencia, executado por cerca de 20 homens, confirmou ontem o ministro da Defesa, Vladimir Padrino López. O grupo foi comandado pelo ex-capitão Juan Carlos Caguaripano, no exílio após ser expulso em 2014 das Forças Armadas por rebelião e traição, e que conseguiu fugir, revelou o ministro.

Também participaram do ataque o tenente Oswaldo Gutiérrez, que estava foragido acusado de roubo de munições, e o tenente Jefferson García, que deu informação da base. A invasão acrescentou mais tensão à explosiva crise venezuelana, com protestos opositores que exigem a saída de Maduro e somam 125 mortos em quatro meses.

Para a oposição e alguns analistas, o ataque evidencia um mal-estar nas classes médias da Forças Armadas, principal alicerce de Maduro.

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