Coletes amarelos voltam às ruas na França pelo 21º sábado consecutivo

Centenas de pessoas se reuniram em Paris, apesar da proibição a protestos em vários pontos da capital, depois dos atos de violência de 16 de março

'Coletes amarelos' voltam às ruas na França em busca de novo impulso'Coletes amarelos' voltam às ruas na França em busca de novo impulso - Foto: Kenzo Tribouillard/ AFP

Milhares de "coletes amarelos" protestavam pacificamente pelo 21º sábado consecutivo em várias cidades da França, antes de o governo apresentar um balanço, na próxima semana, de seu "grande debate" destinado a apaziguar os manifestantes, e propor medidas.

As cifras da mobilização, reportadas pelo ministério do Interior francês, apontam para uma participação menor desde que o movimento começou. No total, 22.300 pessoas protestavam na França, das quais 3.500 em Paris. Mas estes números são questionados pelo movimento.

"Macron, vá embora de uma vez!", gritaram os cerca de mil "coletes amarelos", que foram às ruas em Rouen (noroeste) neste sábado (06), dirigindo, como de hábito, suas críticas ao presidente francês, Emmanuel Macron, e sua política fiscal e social.

"Macron, destituição", dizia um cartaz em Paris, onde se renovaram as proibições a protestos em alguns locais da capital, após os atos de violência de 16 de março, especialmente na avenida Champs Elysées, onde 1.500 indivíduos "ultra-violentos", segundo o governo, saquearam lojas e restaurantes.

Leia também 
França considera que a crise do Brexit tem que acabar
França quer proteger suas commodities do Mercosul, diz Bolsonaro


O novo sábado de manifestação acontece três dias depois da rejeição pelo Conselho Constitucional de um dos principais artigos da "lei contra o vandalismo", que o governo deseja aprovar para combater os distúrbios durante as manifestações dos "coletes amarelos". O artigo previa proibições administrativas de manifestação para pessoas que representam "ameaça grave para a ordem público"·.

O Conselho, no entanto, aprovou outros dois pontos da lei: a revista prévia de mochilas e veículos perto das manifestações e a tipificação do delito de dissimulação voluntária do rosto. As medidas não são aplicadas neste sábado porque ainda não foram publicadas no Diário Oficial.

MOVIMENTO ENFRAQUECIDO 
Para enfrentar o movimento - a maior crise de Macron desde que assumiu o poder em maio de 2017 –, o governo iniciou um "grande debate nacional", com 10.000 reuniões locais e quase 16.000 "cadernos de reclamações" que permitiram registrar as queixas da população. A iniciativa, porém, não convenceu os "coletes amarelos" a desistir dos protestos a cada sábado.

Entre as demandas dos franceses estão o aumento do poder aquisitivo, mais justiça social e fiscal, assim como o reconhecimento do voto em branco, a redução do número de parlamentares, entre outras.

Na terça e na quarta da próxima semana estão programados dois debates, sem votação, no Parlamento francês, com a presença do primeiro-ministro Édouard Philippe. "Vamos começar a considerar (...) o que nos foi dito. E como contemplamos fazer depois o trabalho" antes de que Macron anuncie "o essencial do que o governo fará depois para responder às demandas dos cidadãos", explicou Philippe na sexta-feira.

A Presidência francesa confirmou que o chefe de Estado anunciará as primeiras medidas do governo ainda em abril. Depois, poderia ir enumerando suas decisões até o verão (boreal), inclusive em plena eleição europeia, em 26 de maio.

Macron, no entanto, precisa superar o ceticismo da opinião pública: uma pesquisa recente mostrou que 68% dos franceses consideram que suas opiniões não são levadas em consideração e 79% duvidam que o grande debate resolverá a crise política.

Veja também

Pandemia desacelera, mas EUA não se dispõe a abrir fronteiras como a UE
Internacional

Pandemia desacelera, mas EUA não se dispõe a abrir fronteiras como a UE

Itália suspenderá obrigatoriedade das máscaras ao ar livre em 28 de junho
Europa

Itália suspenderá obrigatoriedade das máscaras ao ar livre em 28 de junho