Colômbia pedirá anulação de contrato com Odebrecht

Agência de Infraestrutura investiga ainda se seus funcionários participaram do esquema de corrupção envolvendo a empreiteira brasileira

Sede da OdebrechtSede da Odebrecht - Foto: Reprodução/Odebrecht

A Colômbia pedirá a anulação de um contrato com a construtora Odebrecht - acusada de subornar funcionários colombianos - devido a irregularidades na licitação, informou nesta quarta-feira (18) a Agência Nacional de Infraestrutura (ANI).

"No dia de hoje [quarta-feira] pediremos ao tribunal de arbitragem do contrato que declare a nulidade do mesmo, diante dos atos ilícitos que deram origem" ao acordo, revelou a ANI.

Trata-se de um adicional ao contrato do trecho 2 da Estrada do Sol, que une o centro do país ao Caribe, cuja execução foi iniciada no mandato do presidente Álvaro Uribe.

No sábado (14), as autoridades prenderam o ex-senador Otto Nicolás Bula, do governista Partido Liberal, por suspeita de favorecer a entrega à Odebrecht do trecho Ocaña-Gamarra, no nordeste do país, após ser contratado pela construtora em agosto de 2013.

"Rejeitamos veementemente a ação da Odebrecht e a deplorável estratégia que executaram através do senhor Otto Nicolás Bula para influenciar de forma corrupta as decisões da ANI".

A nulidade do contrato implica em sua suspensão e permite a abertura de outra licitação para a conclusão das obras, cujo adicional foi firmado durante a administração do atual presidente, Juan Manuel Santos.

A ANI informou que realizará uma auditoria "independente" dos orçamentos e do modelo financeiro relacionado ao adicional para "identificar irregularidades".

A Agência investiga ainda se seus funcionários participaram do esquema de corrupção envolvendo a Odebrecht.

A Odebrecht mantinha três contratos com o Estado colombiano: o trecho da Estrada do Sol, obtido durante o mandato do presidente Alvaro Uribe, a estrada Puerto Boyacá - Chiquinquirá e um trabalho para dar navegabilidade ao rio Magdalena, ambos sob o mandato de Santos.

No domingo, o ex-vice-ministro dos Transportes Gabriel García Morales, que ocupou o cargo durante o governo Uribe, admitiu as acusações que o Ministério Público lhe imputou pelos fatos que o vinculam com as irregularidades na concessão dos contratos do Trecho Dois da Estrada do Sol.

De acordo com o Ministério Público, Morales recebeu 6,5 milhões de dólares para excluir concorrentes para que o desaparecido Instituto Nacional de Concessões (INCO), sob sua responsabilidade na época, desse a obra à Odebrecht.

Veja também

Ex-policial Derek Chauvin é considerado culpado de todas as acusações pela morte de George Floyd
George Floyd

Ex-policial Derek Chauvin é considerado culpado de todas as acusações pela morte de George Floyd

Biden considera 'esmagadoras' as evidências do julgamento da morte de George Floyd
EUA

Biden considera 'esmagadoras' as evidências do julgamento da morte de George Floyd