Com Obama, premiê japonês visita Pearl Harbor e oferece condolências

Abe ofereceu suas condolências pelos mortos no ataque japonês a Pearl Harbor, durante a Segunda Guerra Mundial

Obama e Shinzo Abe em Pearl HarborObama e Shinzo Abe em Pearl Harbor - Foto: Nicholas Kamm/AFP

Sete meses após a primeira visita conjunta de um presidente americano e de um premiê japonês ao memorial às vítimas do ataque americano a Hiroshima, Barack Obama e Shinzo Abe participaram de cerimônia na base militar americana de Pearl Harbor, no Havaí, nesta quarta (28).

Abe ofereceu suas condolências pelos mortos no ataque japonês a Pearl Harbor, durante a Segunda Guerra Mundial. Assim como fez Obama em visita a Hiroshima, o premiê não pediu desculpas pelo ocorrido.

"Presidente Obama, povo dos Estados Unidos da América e pessoas ao redor do mundo, como primeiro-ministro do Japão, ofereço minhas sinceras e eternas condolências às almas daqueles que perderam suas vidas aqui", disse Abe.

"Este gesto histórico fala sobre o poder da reconciliação. Um lembrete de que mesmo as feridas mais profundas da guerra podem dar lugar à amizade e a uma paz duradoura", afirmou Obama.

Eles depositaram oferendas às 11h30 locais (19h30 em Brasília) no memorial construído em 1962 sobre os restos do encouraçado USS Arizona, onde ocorreram as maiores baixas do ataque japonês de 7 de dezembro de 1941, que matou 2.402 americanos e provocou a entrada dos EUA na Segunda Guerra.

As autoridades japonesas passaram a caracterizar a visita de Abe como a primeira de um premiê em exercício -ele seria o quarto líder japonês a visitar a base militar americana no Havaí e o primeiro a pisar no memorial do USS Arizona.

Shigeru Yoshida (1946-1947) parou no Havaí voltando de San Francisco após assinar um tratado, em 1951. Ele foi discretamente a Pearl Harbor.

Na semana passada, um jornal do Havaí em japonês disse ter encontrado em seus arquivos reportagens sobre duas visitas anteriores de premiês japoneses ao local, nos anos 50. Uma delas, inclusive, de Nobusuke Kishi (1957-1960), que era avô de Abe.

Depois que as visitas anteriores foram reportadas, o Ministério do Exterior japonês reconheceu que, em 1956, o premiê Ichiro Hatoyama (1954-1956) havia visitado o Comando do Pacífico em Honolulu, visita seguida pela de Kishi em 1957.

Os historiadores especulam que os premiês que visitaram Pearl Harbor nos anos 50 teriam optado por manter a discrição porque as feridas do ataque ainda não estavam cicatrizadas.

Parceria

A parceria com Obama foi prioridade na política externa do premiê Shinzo Abe. Apesar de nacionalista, ele reforçou a aliança com os EUA no momento em que a China expande seu poder na Ásia. Abe encontrou o sucessor de Obama, Donald Trump, no mês passado, na Trump Tower, em Nova York.

Há nervosismo adicional na política externa nipônica, pois Trump anunciou que acabará com a Parceria Transpacífica, bloco comercial de vários países da região, que era prioritário para os dois governos.

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