Condenado à morte autor do massacre racista em Charleston

Dylann Roof, branco, matou nove pessoas em uma igreja da comunidade negra

Deputado estadual Professor Paulo Dutra (PSB)Deputado estadual Professor Paulo Dutra (PSB) - Foto: Divulgação / Alepe

O supremacista branco Dylann Roof foi condenado à morte nesta terça-feira pelo massacre em 2015 de nove pessoas em uma igreja da comunidade negra de Charleston, no sudeste dos Estados Unidos.

O jovem branco, de 22 anos, escutou a sentença no tribunal federal de Charleston, Carolina do Sul, sem mostrar qualquer reação além de um leve sorriso.

Em seguida, Roof pediu uma nova defesa para solicitar a revisão do caso, e o juiz federal Richard Gergel respondeu que analisará o recurso na quarta-feira.

Gergel sentenciará formalmente Roof na quarta, quando reabrir a sessão, às 9h30 local.

A família de Roof divulgou um comunicado no jornal The Post and Courier no qual manifesta sua empatia com as vítimas do crime.

"Sempre amaremos Dylann e enquanto vivermos seguiremos lutando para entender por que cometeu este horrendo ataque que causou tando dano a tanta gente boa".

A procuradora-geral dos EUA, Loretta Lynch, declarou que "nenhum veredito trará de volta as nove pessoas que perdemos na igreja Madre Emanuel (...), mas esperamos que o fim deste processo dê ao povo de Charleston e ao povo da nossa Nação um sentimento de conclusão".

Em 17 de junho de 2015, Dylann Roof se juntou a um grupo de estudos da Bíblia na Igreja Metodista Episcopal Africana Mãe Emanuel, um símbolo da luta contra a escravidão em Charleston. Porém, minutos depois, inciou um massacre no qual nove pessoas negras morreram.

Roof foi considerado culpado em dezembro por 33 crimes, incluindo crime de ódio.

Em sua declaração final, antes de ouvir a sentença, Roof não mostrou arrependimento e disse que ninguém o "obrigou" a cometer o massacre.

O advogado da Procuradoria, Jay Richardson, recordou ao tribunal que Roof "executou cruelmente pessoas que descreveu em seus escritos como meros animais selvagens".

"Sentenciem este acusado à morte, por matar Clementa Pinckney", disse, se referindo ao pastor da igreja. Depois repetiu a frase nomeando as outras oito vítimas.

Em sua defesa, Dylann disse que o ódio sentido contra ele pelas famílias das vítimas, pessoas em geral, e pelo procurador é similar ao sentimento que ele teve para com os fiéis. E acrescentou, em um discurso pouco coerente, que sua atitude foi um impulso natural.

"Acredito que possamos dizer que ninguém em sã consciência quer ir a uma igreja matar pessoas", afirmou. "O que digo é que ninguém que odeie alguém tem uma boa razão para fazer isso".

Mas, em contrapartida, tentou buscar a compaixão do júri para obter prisão perpétua ao invés da sentença de morte.

"Tenho o direito de pedir a vocês prisão perpétua, porém não sei de que forma isso serviria. Só um de vocês precisa estar em desacordo com o resto do júri".

Em dezembro, o tribunal viu o vídeo de confissão de Dylann Roof, um dia após o ataque. Nele, o jovem justificava suas ações como represália pelos supostos crimes cometidos pelos negros contra os brancos.

"Alguém tinha que fazer isso porque os negros estão matando os brancos o tempo todo na rua e estão estuprando as mulheres brancas", dizia Roof, calmamente, ao oficial do FBI.

Referindo-se a este vídeo e a outras provas de seu intenso racismo mostradas durante o julgamento, o procurador Richardson disse aos membros do júri que Roof "passou anos alimentando este profundo ódio. Este ódio que cada um de nós quer pensar que não é possível que exista em ninguém".

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