Confrontos retornam à cidade síria de Aleppo após trégua inútil

Na madrugada de sábado para domingo, vários foguetes foram lançados contra os bairros da zona oeste de Aleppo

Reunião da Subcomissão do FiesReunião da Subcomissão do Fies - Foto: Sérgio Francês/Divulgação

Os confrontos entre as forças do regime de Damasco e os rebeldes retornaram à cidade síria de Aleppo, após o fim de uma trégua "humanitária" de três dias decretada pela Rússia que não permitiu a retirada de quase nenhum ferido dos bairros cercados.

Na madrugada de sábado para domingo, vários foguetes foram lançados contra os bairros da zona oeste de Aleppo, controlados pelo governo, ao mesmo tempo que tiros e bombardeios aéreos atingiram as áreas rebeldes da zona leste da cidade, indicou a ONG Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Ao menos três pessoas ficaram feridas, de acordo com a ONG.

"O regime e os rebeldes reforçaram os efetivos militares, o que provoca o nosso temor, no caso de fracasso do cessar-fogo, de uma grande operação militar", advertiu Abdel Rahman, diretor do OSDH no sábado.

Aleppo, que já foi a capital econômica da Síria, virou o símbolo da guerra que devasta o país desde março de 2011 e que já provocou mais de 300.000 mortes.

A cidade está dividida desde 2012 entre os bairros da zona oeste sob controle do governo e os bairros da zona leste dominados pelos rebeldes, completamente cercados pelas tropas sírias desde julho.

A situação priva estas zonas de ajuda humanitária e a ameaça de uma crise alimentar é muito grande, afirma a ONU.

Depois de intensificar os bombardeios contra a parte rebelde de Aleppo e seus quase de 250.000 habitantes a partir de 22 de setembro, a Rússia, acusada de cometer "crimes de guerra" na cidade, decretou uma pausa "humanitária" de três dias que terminou às 19H00 locais (14H00 de Brasília) de sábado.

A trégua não permitiu que a ONU retirasse 200 feridos, bloqueados na zona leste da cidade. Os oito corredores abertos para permitir a passagem de civis e milicianos a partir da área rebelde permaneceram desertos.

Apenas oito combatentes feridos e sete civis deixaram a zona rebelde no período da trégua.

As autoridades russas e a imprensa estatal síria acusaram os rebeldes de impedir que as pessoas abandonem a região.

Os rebeldes recorreram a "ameaças, chantagem e força bruta" para bloquear os corredores, afirmou o ministro russo das Relações Exteriores, Serguei Lavrov.

A ONU, que chegou a solicitar a prorrogação da trégua, considerou que as condições de segurança eram insuficientes para retirar os feridos.

Em Moscou, o porta-voz do presidente Vladimir Putin, Dmitri Peskov, justificou no sábado a intervenção militar russa na Síria, ao destacar em uma entrevista a necessidade de "libertar" este país dos extremistas, com a manutenção de Assad no poder.

O Conselho de Segurança da ONU recebeu na sexta-feira um relatório confidencial que afirma que o exército sírio realizou em 16 de março de 2015 um ataque com armas químicas, sem dúvida cloro, em Qmenas, província de Idleb.

Dos nove ataques com armas químicas investigados pelos analistas, três foram atribuídos ao governo sírio e um ao grupo extremista Estado Islâmico, com gás mostarda em Marea, perto de Aleppo, em agosto de 2015.

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